| 03 de setembro de 2010 | Atualizada às 01h14m |
|
Centro Cultural Banco do Brasil abriga “Virada Russa”
Publicada: 04/07/2009
Texto: Suyene Correia / Fotos: Divulgação
Que tal conferir um pouco do que foi produzido durante os movimentos construtivista e suprematista, marcos da vanguarda russa do início do século passado? Pois bem, até o dia 23 de agosto, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), do Rio de Janeiro, será possível ver de perto 123 obras produzidas nas três primeiras décadas do século XX, oriundas da notável coleção do Museu Estatal Russo de São Petersburgo.
Aexposição, que já passou pelo CCBB de Brasília, e em setembro, segue para São Paulo, reúne não só obras dos movimentos acima citados, mas também do neoprimitivismo, futurismo, raionismo e simbolismo. São telas, cartazes, esculturas e figurinos que ajudaram a constituir, junto com as vanguardas francesas, os fundamentos da arte moderna.
Entre as raridades apresentadas estão clássicos como “Promenade” (1917) de Marc Chagall, que representa um momento lírico dentro do surrealismo; três quadros de Maliévitch, que marcam o começo do verdadeiro rigor geométrico na pintura; obras de Vassili Kandínski, como “Pente Azul Escuro” (1917) e “São George” (1911), que marcam o ponto de partida para a pintura abstrata; a vertente construtivista de Tátlin, com a obra “Contra-Relevo de Canto” (1914), que traduz o novo mundo industrial; além das obras de Ródtchenko- “Círculo Branco” (1918) e “Não-Objeto” (1918) e peças do vestuário criadas por Maliévitch para a importante ópera “Vitória Sobre o Sol”, de 1913.
A importância de “Virada Russa” para os aficcionados pelas artes plásticas dá-se também pela oportunidade de se conhecer artistas pouco valorizados no ocidente. Como é o caso de Pável Filónov. Sua complexa visão de mundo se expressa na assimilação e fusão, em seus quadros, das mais diversas linguagens visuais (do cubismo e futurismo à arte antiga russa) para forjar obras de complexos simbolismos que, em ocasiões, se desdobram em séries que ocupam vários quadros.
Um bom exemplo disso é o óleo sobre tela “Três Numa Mesa” (1914-1915) e “Vaqueiras” (1914). Em “Três Numa Mesa”, as figuras no primeiro plano, poucos objetos de natureza morta, a significação acentuada do momento da passagem de uma taça ao velho homem e a condição de oração de um terceiro personagem causam a sensação de certa ação simbólica de alta espiritualidade. Pinceladas multicolores, através das quais é constituída a obra, sugerem uma idéia da concepção biológica do mundo e criam a estrutura figurativa do quadro com traços de uma visão ilusória, oscilante que fragmenta o fundo.
Já “As Vaqueiras” faz parte da série de mais de vinte trabalhos com o nome “Introdução à Prosperidade Mundial”. Depois da ideia e do conceito sobre prosperidade mundial, Filónov cria obras de orientação antiurbanística. “Vaqueiras” é um sonho sobre a existência ideal do ser humano em harmonia com a natureza.
Artistas como Natalia Gontcharova ou Mikhail Lariónov destacam-se também, por marcarem o surgimento do modernismo artístico no contexto russo, com citações explícitas do mundo real, elementos da cultura popular ou cenas do cotidiano.
Mas nenhum nome reflete tão bem o espírito da vanguarda de modo tão significativo quanto o de Kazimir Maliévitch. Suas 19 obras que participam da exposição representam diversas etapas criativas desse autor, desde peças figurativas até os arquitectons e as composições suprematistas.
Talvez entre as peças que possa resultar mais curiosas, estão aquelas que remetem à fundacional ópera “Vitória Sobre o Sol”. A partir dos vestuários concebidos pelo artista é evocado o experimento teatral que foi o ponto de partida não só do icônico “Quadrado Negro”, mas sim, de uma consciência vanguardista própria e abre a reflexão sobre a versatilidade de Maliévitch que como cenógrafo, figurinista e ator nessa peça, acumula em si o ar revolucionário da vanguarda.
Em franca oposição a Maliévitch estavam os artistas seguidores da linha construtivista, encabeçada por Vladímir Tátlin e, destes, também é possível apreciar algumas obras que constituem uma base sólida para os princípios do design contemporâneo. As amostras de tecido e vestuários teatrais de Aleksandra Ékster e Varvara Stepánova juntam-se às propostas pictóricas dentro dessa linha.
Todo o paradigma de construção de uma nova sociedade está também refletido no conjunto de cartazes, peças de cerâmica, objetos e pinturas que, em contraste com a linguagem de vanguarda mais radical, adere-se a uma tendência conservadora que levará à proclamação oficial do realismo socialista como estilo predominante a partir de 1932, finalizando um intenso período de experimentações.
Toda esta riqueza proveniente do Museu Estatal Russo de São Petersburgo compõe a maior e mais significativa exposição já realizada no Brasil sobre as vanguardas russas. Agora, este acervo até então apenas acolhido por grandes museus europeus, pode ser conferido de perto no Centro Cultural Banco do Brasil do Rio de Janeiro, localizado à rua 1º de Março, 66- Centro. A visitação pode ser feita de terça a domingo, das 10 às 21h. Entrada franca.
Suprematismo
Movimento russo de arte abstrata, o suprematismo surge por volta de 1913, mas sua sistematização teórica data de 1925, do manifesto Do Cubismo ao Futurismo ao Suprematismo: o Novo Realismo na Pintura, escrito por Kazimir Maliévitch em colaboração com o poeta Vladimir Maiakóvski. O suprematismo está diretamente ligado ao seu criador, Maliévitch, e às pesquisas formais levadas a cabo pelas vanguardas russas do começo do século XX, o raionismo de Mikhail Lariónov e Natalia Gontcharova e o construtivismo de Vladimir Tátlin. Nesse contexto, o suprematismo defende uma arte livre de finalidades práticas e comprometida com a pura visualidade plástica. Trata-se de romper com a ideia de imitação da natureza, com as formas ilusionistas, com a luz e cor naturalistas - experimentadas pelo impressionismo - e com qualquer referência ao mundo objetivo que o cubismo de certa forma ainda alimenta.
Construtivismo
Para o construtivismo, a pintura e a escultura são pensadas como construções - e não como representações - guardando proximidade com a arquitetura em termos de materiais, procedimentos e objetivos. O termo construtivismo liga-se diretamente ao movimento de vanguarda russa e a um artigo do crítico N. Punin, de 1913, sobre os relevos tridimensionais de Vladimir T átlin (1885 - 1953). A consideração das especificidades do construtivismo russo não deve apagar os elos com outros movimentos de caráter construtivo na arte, que ocorrem no primeiro decênio do século XX, por exemplo, o grupo de artistas expressionistas reunidos em torno de Vasilli Kandínsky (1866 - 1914) no Der Blaue Reiter [O Cavaleiro Azul], em 1911, na Alemanha; o De Stijl [O Estilo], criado em 1917, que agrupa Piet Mondrian (1872 - 1944), Theo van Doesburg (1883 - 1931) e outros artistas holandeses ao redor das pesquisas abstratas; e o suprematismo, fundado em 1915 por Kazimir Maliévitch (1878 - 1935), também na Rússia. Isso sem esquecer os pressupostos construtivos que se fazem presentes, de diferentes modos, no cubismo, no dadaísmo e no futurismo italiano.
Fonte: Enciclopédia Itaú Cultural
Nenhum comentário encontrado.
Seja o primeiro(a) a comentar. Clique aqui para comentar
Comentários do Conteúdo
Mais Notícias
02/09/2010 CINECUT exibe Chove sobre Santiago nesta sexta-feira
02/09/2010 Maria Gadú Se apresenta no TTB
02/09/2010 Festival Aperipê de Música encerra inscrição na sexta-feira
02/09/2010 Jota Quest comanda a festa no Spring Beach
01/09/2010 Música no Café do Museu
01/09/2010 BBB Jardins prossegue até quinta-feira
01/09/2010 Orquestra Sinfônica de Sergipe recebe convidados nesta quarta
01/09/2010 Maria Gadú Se apresenta no TTB
01/09/2010 SESC lança projeto “Acordes Musicais”
01/09/2010 “Sergipe In Foco” promove curso de Daguerreotipia









Versão para Impressão
Corrigir
Comentar




Nenhum comentário encontrado.