03 de setembro de 2010 | Atualizada às 01h14m
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Entrevista - José Roberto de Lima

Publicada: 15/11/2009

Texto: Luiz Melo

Em 2010, Sergipe deverá receber investimentos do grupo INVI, na Barra dos Coqueiros, misto de segunda residência de alto padrão e hotelaria, algo em torno de R$ 100 milhões, e o resort do grupo CVC, que ficará localizado no Mosqueiro, isso após a adequação do projeto às normas ambientais. A CVC vai investir cerca de R$ 70 milhões na primeira etapa. A informação é
do presidente da Empresa Sergipana de Turismo (Emsetur), José Roberto de Lima, que garante que “Sergipe deixou de ser um destino desconhecido”.

Ele destaca ainda que o Estado hoje tem aproximadamente 10 mil leitos, sendo cerca de 7.000 em Aracaju. Segundo ele, o turismo já se faz presente no dia-a-dia da economia sergipana.

w JORNAL DA CIDADE - Investir em turismo é um bom negócio? Quanto o Estado investe este ano e quanto está investindo a iniciativa privada?
JOSÉ ROBERTO DE LIMA - Investir em turismo é um bom negócio. A questão é definir qual a atividade mais adequada. Há ainda boas opções na área de alimentos e bebidas e entretenimento, onde se observa maior carência. No setor hoteleiro, creio que haverá uma certa acomodação em relação à construção de novos empreendimentos e ampliação dos existentes. Entretanto, há um forte movimento na melhoria das instalações dos hotéis, já que a vinda de hotéis de rede e de alguns estabelecimentos locais elevou o padrão da hotelaria sergipana, que é sem sobra de dúvidas, uma das melhores do Nordeste. Se considerarmos os investimentos do Estado em infraestrutura turística, mais os investimentos da Emsetur em promoção e capacitação profissional, devemos atingir em 2009 algo em torno de R$ 100 milhões. Em relação aos investimentos da iniciativa privada, estes devem estar em torno de R$ 10 milhões, considerando os setores de hotelaria, agência de viagens e de alimentos e bebidas.

w JC - O que falta a Sergipe para deslanchar turisticamente? O que foi feito neste sentido pela Emsetur? O que fazem os empresários?
JRL - Apesar de ainda não termos atingido o nível de desenvolvimento do turismo de outros destinos do Nordeste, é importante que reconheçamos que Sergipe deixou de ser um destino desconhecido. Prova disso é que, pela primeira vez, a nossa alta estação irá começar com uma antecedência de quase três meses, já no mês de novembro. É o "novembro mais quente" da história do turismo sergipano. Uma amostra disso são os dados fornecidos pela Infraero. Em outubro de 2009 o Aeroporto de Aracaju bateu o seu recorde histórico, com aproximadamente 71.000 embarques e desembarques de passageiros. Chegaremos ao final do ano com mais de 700.000 passageiros. Se ainda não nos recuperamos plenamente da crise econômica, esse aumento no fluxo de passageiros deve ser creditado em grande parte ao aumento do fluxo turístico. Este desempenho deve-se principalmente a uma atuação da Emsetur e da Sedetec, que focam suas atuações no "negócio de turismo", ou seja, em uma atuação agressiva de captação de turistas, associada a iniciativas de qualificação do nosso destino, principalmente na área de formação profissional, através do Programa Sergipe de Braços Abertos.
É importante destacar que todas as iniciativas relacionadas ao turismo foram construídas em conjunto com o trade turístico, principalmente através da intermediação com o Aracaju Convention Bureau. Aliás, creio que esse é o grande diferencial da atual política de turismo: agimos todos em prol do desenvolvimento da atividade, como uma grande sociedade. Isoladamente, o setor privado faz a sua parte na medida em que tem investido consideravelmente na melhoria da infraestrutura.
Basta passar pela orla de Atalaia para ver o atual padrão da hotelaria sergipana, que sem sombra de dúvidas é um importante fator de atração de turistas para o Estado.

w JC - Sergipe tem leitos suficientes para atender à demanda? São quantos na capital e quantos no interior?
JRL - Temos em torno de 10.000 leitos em todo o Estado, sendo cerca de 7.000 em Aracaju. Se este número é suficiente ou não temos que considerar qual o perfil destes leitos. Por exemplo, temos dificuldades para viabilizar eventos com mais de 2.000 pessoas que exijam uma hotelaria mais qualificada. Creio que está havendo uma adequação entre a oferta e a demanda. Com a atual tendência de aumento do fluxo turístico, acredito que dentro de dois anos observaremos a construção de mais leitos no Estado. Um problema da hotelaria sergipana, principalmente a de menor porte, é o desconhecimento do mercado consumidor, a começar do próprio sergipano. Hoje temos boas opções de hospedagem em vários destinos turísticos do interior. Estamos trabalhando para a reformulação do site da Emsetur que incluirá estes meios de hospedagem (cadastrados), para que os sergipanos e turistas tenham a oportunidade de conhecê-los.

w JC - Quais as cidades do interior sergipano com bom potencial turístico?
O que elas têm de atrativo? Tudo já é explorado? O que falta para que isso aconteça?
JRL - No interior, Canindé do São Francisco se destaca como o segundo maior destino turístico do Estado. A abertura, pela primeira vez, dos museus e igrejas em São Cristóvão, tornará a cidade um importante destino turístico, o que já devia ter ocorrido há bastante tempo. Já observamos o setor privado se movimentar na construção de um novo roteiro que destaque os nossos atrativos históricos, englobando o roteiro Divina Pastora-Laranjeiras e São Cristóvão. Acredito que a Rota do Sertão deve ser melhor explorada, criando outros roteiros além do tradicional bate e volta para o Canyon de Xingó. Acredito que há espaço para um roteiro, como Parque dos Falcões-Boa Luz. No Litoral Sul, com o término da Ponte Joel Silveira, deve-se dar mais ênfase às nossas praias do litoral sul, deixando de lado um pouco Mangue Seco. Outro roteiro que acredito que será um grande sucesso é a retomada do catamarã do Mosqueiro, com possibilidade de complemento com São Cristóvão. Roteiros conjugados com mais de um atrativo turístico, como histórico e ecológicos, serão na minha avaliação o grande diferencial do turismo sergipano no Nordeste. É preciso que o nosso receptivo acredite nisto e seja menos conservador.

w JC - Quanto, em média, deixa um turista aqui (gasto diário)? Sergipe é cara turisticamente falando? E a hospedagem é cara? Comida é cara?
JRL - O gasto médio diário do turista em Sergipe deve estar em torno dos R$ 150,00 (incluindo hospedagem, alimentação, etc). Os valores de hospedagem, alimentação, compras, etc, em Sergipe não são maiores que de outros locais no Nordeste. O que muitas vezes torna o custo do pacote para o Estado mais caro que outros locais é o preço da passagem aérea. Temos trabalhado junto às companhias aéreas no sentido de que as passagens para Sergipe sejam tão competitivas quanto para outros destinos.

w JC - O que os turistas mais reclamam e mais elogiam em Sergipe? O que fazer para superar as reclamações?
JRL - A maior reclamação dos turistas é em relação à sinalização turística. Os maiores elogios são em relação à hospitalidade e à beleza dos nossos atrativos. A palavra que resume o que os turistas acham de Sergipe, principalmente aqueles que nos visitam pela primeira vez é: surpreendente. A Sedetec, através do Prodetur, está em vias de implantação de um grande projeto de sinalização turística que contemplará outddors nos nossos principais atrativos, sinalização rodoviária no litoral sul e norte e Rota do Sertão, e sinalização turística em Aracaju (em fase de licitação).

w JC - A reforma do aeroporto vai sair do papel quando? Vão reformar e ampliar o que? Quanto será investido?
JRL - A reforma do Aeroporto de Aracaju envolve a atuação da Infraero, Governo de Sergipe e Prefeitura de Aracaju. O valor total do projeto é da ordem de R$ 200 milhões, e envolve a ampliação da pista, construção de novo terminal de passageiros e adequação do sistema viário. Acredito que em 2010 os projetos de ampliação da pista e adequação do sistema viário já estejam concluídos, além de iniciada a construção do novo terminal de passageiros.

w JC - Quais os eventos que mais atraem turistas a Sergipe? Eles somam quanto em cada um deles?
JRL - O maior evento de atração de turistas é o São João. Estimamos um fluxo de 300.000 (hoteleiros e não hoteleiros) durante todo o mês de junho. Outros eventos importante são o Pré-Caju e o Verão Sergipe. Temos observado recentemente um aumento significativo de turistas em função do réveillon de Aracaju, que vem cada vez mais se destacando em nível de Nordeste.

w JC - Quais os novos empreendimentos que virão para Sergipe? Ficarão onde? Quanto custarão? São financiados pelo Estado?
JRL - Devemos ter dois grandes empreendimentos em turismo para 2010. O do grupo INVI na Barra dos Coqueiros, misto de segunda residência de alto padrão e hotelaria, que na primeira fase deve investir algo em torno de R$ 100 milhões, e o resort do grupo CVC, localizado no Mosqueiro, que após a adequação do projeto às normas ambientais, deve estar investindo algo em torno de R$ 70 milhões na primeira etapa.

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