06/12/2018 as 15:17

HUSE

Adolescente de 16 anos é internado com Calazar

Este é o segundo caso da doença no hospital noticiada no período de um mês; de acordo com a Secretária de Saúde do Estado foram 55 casos registrados e nove óbitos.


Adolescente de 16 anos é internado com CalazarFoto: Divulgação

Um adolescente de 16 anos foi internado no Hospital de Urgência de Sergipe (HUSE), por conta de uma Leishmaniose Visceral, também conhecida como Calazar. O jovem deu entrada no hospital, no dia 24 de novembro. Porém na terça feira, 4, o quadro piorou e teve de ir para UTI. Darcy Pinto, superintendente do Hospital, afirmou que o estado do jovem de Gararu é “grave”.

“O caso dele é sério, não há previsão de melhora. A doença é grave, ele está aqui desde o dia 24 [de novembro] e o quadro dele tem piorado. O hospital está fazendo o melhor para ajudá-lo no momento”, disse.

A situação tem se tornado comum em Sergipe nos últimos anos. No mês passado, uma criança de três anos faleceu no Huse por conta da doença. Segundo a Secretaria da Saúde do Estado, foram registrados 55 casos e nove mortes em 2018. Ano passado houve 75 casos e o mesmo número de mortes.

Em Aracaju, são 15 episódios confirmados e um falecimento, conforme dados da Secretaria Municipal de Saúde. Embora o número de casos no estado diminuiu para 26,7 %, o de mortes está igualado, o que torna a situação alarmante.

Apesar de perigosa, doença tem tratamento

A leishmaniose é transmitida por mosquitos. O inseto é infectado ao picar o cachorro, no qual se torna um reservatório da doença em áreas urbanas. Os sintomas são caracterizados por febre de longa duração, aumento do fígado e do baço, perda de peso, fraqueza, redução de força muscular, anemia, entre outras coisas.

Já no animal os sintomas podem levar de três meses à anos para se manifestar. Os sinais clínicos são emagrecimento, mucosas pálidas, crescimento exagerado das unhas, lesões na pele, perda de cabelo, úlceras com sangramentos e secreção ocular.

O tratamento em humanos é feito pelo SUS. Existe controvérsia no tratamento dos animais, a Miltesofrina é cara e melhora os sintomas, reduzindo a carga parasitaria, mas não a elimina. O procedimento deve ser feito através de uma vacina com repelentes e coleiras para reduzir o risco. O medicamento não é o único custo do tratamento. O animal deve realizar retornos ao veterinário a cada quatro meses para uma nova bateria de exames e verificar a necessidade de utiliza-lo novamente. Outra solução indicada pelo Ministério da Saúde é a eutanásia.

Segundo a coordenadora do Centro de Zoonoses, Marina Sena, o órgão tem criado medidas para conscientizar a população na capital acerca do risco. Quando existe caso humano, delimitam uma área de 500 metros na casa de onde aconteceu o episódio, escolas, Unidades de Saúde e nos CRAS. Além de ajudar os animais.

"Nós realizamos ações como Educação em Saúde que consiste na informação sobre as medidas de prevenção ao aparecimento do flebotómo, vetor da Leishmaniose Visceral. Também fazemos o inquérito canino, onde realizamos coleta de sangue em cães de áreas com histórico de casos humanos para identificar os reservatórios. A instalação de armadilhas para realizar o levantamento entomológico para flebotomineo, para identificar se naquela área que ocorreu o caso humano o mosquito palha está presente.”

Para descobrir se o animal tem a doença o sangue é colocado no inquérito canino e levado ao laboratório do Centro de Controle do Zoonoses. Lá eles realizam dois testes para diagnósticos da doença: o teste rápido e o confirmatório. Se ele for positivo no primeiro teste, fica submetido ao segundo, chamado ELISA, e depois outro realizado no Laboratório Central de Saúde Pública - LACEN.

Como se prevenir

Para evitar a transmissão da doença, recomenda-se que limpe os quintais, mantendo-o sem acúmulo de folhas caídas, lixo e entulhos. Que também evite circular próximo de matagais após às 17h, a vacinação do animal contra a raiva e levá-lo periodicamente ao veterinário ou o Zoonoses.