14/01/2019 as 13:38

Municípios

Rodovias estaduais em Lagarto e Barra dos Coqueiros lideram ranking de acidentes

CPRv registra queda de 19% nas ocorrências. Já a PRF comemora redução no número de vítimas fatais

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Rodovias estaduais em Lagarto e Barra dos Coqueiros lideram ranking de acidentes

O engenheiro Fernando Carvalho estava chegando ao destino dele, as praias do litoral Sul do Estado, quando cochilou ao volante e acabou perdendo o controle do veículo, saindo da pista e indo de encontro a uma cerca. “Foi um susto muito grande. Numa fração de segundo eu vi a vida passar. Graças a Deus só tive prejuízos materiais, mas a sensação de medo fica por um bom tempo com a gente”, relata. A história do sergipano teve um final feliz, mas, o risco de morte em acidentes como o dele é muito alto.


Segundo dados levantados pela Companhia de Polícia Rodoviária Estadual (CPRv), entre os meses de janeiro e dezembro do ano passado, foram registradas 85 mortes por acidentes de trânsito ocorridos nas estradas que cortam Sergipe e ligam os 75 municípios. “As principais causas, respectivamente, foram as saídas de pista e a colisão frontal”, informa o Tenente Menezes, do Batalhão da CPRv.


O balanço da instituição mostra uma redução de 19% nos acidentes contabilizados em 2018 com relação ao ano anterior, sendo que, dos 213 acidentes, 125 deles envolveram carros de passeio e 88 foram com motocicletas. O Tenente Menezes pontua dois trechos das estradas sergipanas como os mais perigosos do Estado. “A rodovia SE-270, no município de Lagarto liderou as estatísticas com 15 acidentes registrados, seguida da SE-100, no município da Barra dos Coqueiros”, detalha.


As condições das vias, a pouca iluminação e a precariedade na sinalização, sem dúvidas, são fatores preponderantes para a ocorrência de acidentes, principalmente à noite, quando a visibilidade dos condutores fica muito prejudicada. Uma pesquisa anual, divulgada pela Confederação Nacional do Transporte (CNT), avaliou 648 quilômetros de via no Estado e, como resultado, mostrou que 20,2% dessas estradas estão em péssimo estado; 24,4% foram tidas como ruins; 11,6% regular; 41,9% bom e 1,9% ótimo.

Quanto a pavimentação, Sergipe foi muito melhor avaliado. A pesquisa revelou que 49,9% das vias avaliadas foram consideradas em ótimo estado, 25,5% em ruim e 14,5% em péssimo. Já sobre a sinalização das rodovias, na análise da CNT, 24,5% das estradas são consideradas como péssimas neste quesito; 11,7% como ruins; 23,5% foram tidas como regulares; 27,6% como boas; e apenas 12,7% foram consideradas ótimas.


O Governo do Estado, por meio do Secretaria de Estado da Infraestrutura e Desenvolvimento Urbano (Seinfra) e o Departamento Estadual de Infraestrutura Rodoviária de Sergipe (DER/SE), informou que, nos últimos dois anos, cerca de R$ 17.500 milhões foram investidos em recuperação de rodovias. Deste valor, aproximadamente R$ 1.500 milhão foram destinados a iluminação pública, R$ 18,100 milhões aos serviços de tapa buraco e R$ 1.500 milhão foram investidos em sinalização.


Sobre as duas rodovias citadas como as que lideram o ranking do número de acidentes, a Seinfra esclareceu que em Lagarto, Rodovia SE-270, foi executada obra de sinalização horizontal, um investimento de R$ 550 mil, além do serviço de tapa buraco, destinando 243,00 toneladas de Concreto Asfáltico Usinado à Quente. Já no que se refere à Rodovia SE-100, na Barra dos Coqueiros, a Secretaria informa que foram realizados os serviços de tapa buracos, utilizando 27,00 toneladas de concreto, bem como a recuperação de placas de sinalização.

Rodovias federais
Já no que diz respeito às rodovias federais que cortam Sergipe, BR 101 e BR 235, de acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), foram 517 acidentes contabilizados em 2018, uma redução de 29,41% em relação ao ano anterior. O número de feridos e mortes também teve uma diminuição significativa, foram: 627 vítimas com ferimentos em 2018, contra 664 em 2017, redução de 5,57%; e 46 óbitos no ano passado, contra 60 em 2017, reduzindo 23,33%.


Para o chefe da Comunicação da PRF, Flávio Vasconcelos, os números são considerados bons, resultado de um trabalho ostensivo de fiscalização da Polícia Rodoviária. “E quando se tem uma polícia ostensiva, que está sempre no trecho fiscalizando e orientando, por tabela, o condutor também se torna mais consciente. Prova disso são as reduções das ocorrências, feridos e mortes registradas em 2018”, analisa.


A falta de atenção encabeça a lista das causas dos acidentes, atrelada ao acesso de velocidade, as ultrapassagens indevidas e a desobediência a sinalização. De acordo com Flávio Vasconcelos, a BR 101 é a rodovia com maior número de acidentes registrados. “Os trechos que merecem maior atenção por parte do condutores estão localizados na 101 Norte, pois a via passa por obras de duplicação. Os perímetros urbanos das rodovias, onde tem a maior concentração de veículos e pessoas circulando, também merecem atenção redobrada”, orienta.