15/04/2019 as 14:21

Economia

Mercado imobiliário caminha a passos lentos

Setor da construção civil apresenta sinais de início de recuperação


Mercado imobiliário caminha a passos lentosFoto: André Moreira/Equipe JC

As apostas de retomada no crescimento do setor imobiliário no Brasil, Nordeste e no Estado de Sergipe estão a todo vapor. Após amargar três anos de dura crise, os empresários, corretores, gerentes, sindicatos e conselhos do ramo acreditam que a partir de 2020 os resultados positivos começarão a aparecer. Em Sergipe, os imóveis novos ainda estão em escassez, e as construtoras permanecem na luta para zerar estoques de empreendimentos prontos. Ainda assim, a expectativa é de que o setor comece a reagir à crise ainda em 2019.


As vendas de imóveis em Sergipe continuam tímidas, e o setor de aluguel avança a passos lentos. Pelas perspectivas de quem atua diariamente no ramo, a exemplo da gerente de um imobiliária localizada em Aracaju, que preferiu não se identificar nesta matéria, o setor ainda está passando pela crise no segmento de novos lançamentos.


Segundo ela, há uma recessão de imóveis novos no estado de Sergipe. Até o ano de 2015, cada construtora lançava novos empreendimentos, no entanto, a partir de 2016, quando a crise estourou, os empresários recuaram.


“Todos tinham de dois a três empreendimentos novos para lançar, com preço de metro quadrado em Aracaju que chegava a R$ 7 mil. Mas, quando surgiu a crise, os bancos passaram a segurar os financiamentos e com isso passou a haver recessão nos segmentos de novos imóveis, porque a oferta passou a ser maior do que a demanda. Hoje, temos um estoque, em que todas as construtoras têm imóveis prontos para poder ofertar como novos. Isso favoreceu o mercado que chamamos de seminovos, onde os preços começaram a cair bastante”, conta a gerente.


A lista de empreendimentos já construídos sem vender é grande, o que faz com que as construtoras não girem capital para investir em novas construções. “Tem construtora que está dando tudo para acabar com o estoque de imóveis prontos, porque precisa fazer o giro do dinheiro para voltar ao caixa”, acrescenta a gerente. Ela afirma ainda que o setor de aluguéis também foi bastante prejudicado com a crise econômica que afetou o mais e deixou milhões de desempregados. Muitos clientes devolveram as propriedades, foram morar com os pais ou dividir com amigos.


“O aluguel não deixa de ser um setor dinâmico, mas, ainda assim, os valores caíram em Aracaju. Para não deixar o imóvel desalugado, muitos clientes aceitaram que o inquilino pagasse apenas o valor do condomínio, sem o custo de IPTU. Muitas coisas foram feitas para que pudéssemos ter movimentação, mas não é a mesma que a gente tinha há três anos”, afirma.


Desde o ano passado, o Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci-SE) está na busca por investidores estrangeiros para trazer ao Estado, segundo o presidente Sérgio Sobral. No mês de abril, o Creci participou de uma feira realizada pela Federação Internacional de Imobiliária, um evento com mais de 90 entidades e cerca de 60 países, onde Sergipe foi divulgado. O presidente conta ainda que o estado será promovido durante evento de Salão Imobiliário em Lisboa, Portugal.


“Nós estamos trabalhando para trazer os investidores estrangeiros para Sergipe. As perspectivas são as melhores possíveis, porque estamos fazendo o mesmo trabalho que foi feito no exterior. E agora o ponto forte é o Nordeste, porque os terrenos são mais baratos, tem muitas festas, temos mineral etc.”, ressalta Sérgio Sobral.


Contudo, esse é um trabalho com resultados de médio a longo prazo. Em paralelo, o Creci segue na tentativa de melhorar as linhas de crédito com a Caixa Econômica Federal. “A curto prazo, o que está se trabalhando é diminuir os juros de financiamento, aumentar o prazo de financiamento e fortalecer a economia como um todo, porque o mercado imobiliário representa 18% do PIB nacional. As construtoras estão começando a lançar. O mercado estabilizou e a tendência é de crescimento”, acredita Sérgio.


O presidente da Associação dos Dirigentes das Empresas do Mercado Imobiliário de Sergipe (Ademi), engenheiro civil Henrique Côrtes, também se mostra otimista quanto ao crescimento do setor este ano. “Acreditamos que efetivamente haverá um forte crescimento em 2019. Várias ações foram tomadas, como oferecer descontos ou taxas gratuitas, a exemplo de taxas cartorárias e do Imposto sobre Bens Imóveis (ITBI), etc. Além disso, como havia muitas unidades em estoque, valorizar o imóvel pronto para morar também surtiu efeito positivo nas vendas. Então, em resumo, as empresas se mostram abertas a negociar com os clientes, disponibilizando vantagens para eles, o que foi salutar para o mercado”, disse o presidente.


De acordo com Henrique, o perfil do imóvel que o aracajuano busca atualmente é aquele que se encaixa no Programa Minha Casa, Minha Vida, nas faixas 1,5, 2 e 3. “Acreditamos que com paz política e reformas estruturantes, a recuperação da economia será consequência direta, e o setor voltará a crescer, bem como todo o nosso País. A indústria imobiliária é uma forte impulsionadora da economia, gerando emprego e renda, já que ela é indutora de toda uma cadeia produtiva”, analisa.

Por Laís de Melo/Equipe JC