06/06/2020 as 11:14

SAÚDE

Crises convulsivas podem ser tratadas com cirurgia

Dr. Renato Viana diz que os pacientes considerados refratários devem realizar uma avaliação minuciosa a fim de tentar encontrar uma causa para o quadro

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Crises convulsivas, também conhecidas como crises epiléticas, que não respondem ao tratamento com medicamentos (pacientes refratários) podem representar cerca de 20-40% de todos os casos. Para falar sobre o assunto, JORNAL DA CIDADE conversou com o neurocirurgião Dr. Renato de Carvalho Viana, formado pela USP-RP, e que atua em Aracaju.

De acordo com o especialista, esses pacientes se apresentam com crises convulsivas mesmo no uso de várias medicações e em doses ajustadas. “O uso crônico dos remédios, em altas doses, pode trazer efeitos colaterais, déficits cognitivos e transtornos sociais”, diz Dr. Renato. Além disso, os pacientes que têm sua doença com difícil controle, podem apresentar maior morbidade e mortalidade. “Uma alternativa nesses casos, seria uma avaliação multidisciplinar para a possibilidade de tratamento cirúrgico das epilepsias refratárias, sendo que a cirurgia pode trazer bom controle das crises e até mesmo diminuição do uso das medicações”, enfatiza Dr. Renato Viana.

Os pacientes considerados refratários devem realizar uma avaliação minuciosa a fim de tentar encontrar uma causa para o quadro. Testes de imagem como ressonância magnética, PET-CT; exames neurofisiológicos e psicológicos são essenciais nesse momento de investigação. Se após toda a investigação for encontrada causa ou substrato para refratariedade das crises, é então discutida a possibilidade de tratamento cirúrgico para a mesma.


“Em adultos, a causa mais comum de crises refratárias é a esclerose mesial temporal, uma alteração nas estruturas mediais do lobo temporal do cérebro, mais especificamente em locais chamados de amigdala, hipocampo e giro para-hipocampal. Essas estruturas estão relacionadas com aprendizagem, memorização, dentre outras atividades”, afirma o especialista. Dos pacientes com epilepsia do lobo temporal por esclerose mesial, cerca de 60-80% podem ficar livres de crises após tratamento cirúrgico, sendo considerado um ótimo resultado, com melhora importante da qualidade de vida do paciente.


“Já nas crianças, temos outras causas que vão desde síndromes genéticas a alterações estruturais, devido a sofrimento fetal no parto. Não se pode esquecer também das causas tumorais que podem estar inclusive mimetizando alterações de lobo temporal, como os gliomas de baixo grau desta região”, esclarece o médico.


Dr. Renato Viana, que atende na Neurocare e na Rede Primavera, destaca também que o paciente com quadro de epilepsia, sempre deve estar em correto seguimento com seu médico e atento a todas as possibilidades terapêuticas. Procure sempre um especialista quando estiver com dúvidas.