24/09/2019 as 11:27

CULTURA

‘Billie Holiday - A Canção’ chega ao Centro de Criatividade

Apresentação acontece no dia 5 de outubro, antes do embarque para Belo Horizonte

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Com mais de 150 apresentações desde 2016 pelo país, o musical sergipano ‘Billie Holiday - A Canção’, com o texto de Hunald de Alencar, direção teatral de Raimundo Venâncio e interpretação de Tânia Mara, continua a caminhada pelos palcos, na busca de aplausos, reconhecimento e despertar da arte, numa reciprocidade de dar e receber, numa mão dupla de resistir para ser artista e também se fazer público. Para levar o musical para uma temporada do Teatro da Cidade, em Belo Horizonte (MG), no próximo mês, o espetáculo chego ao Centro de Criatividade, na capital sergipana, no dia 5 de outubro, com um ‘after’ repleto de boa conversa com quem faz o musical acontecer.


“A ideia é fazer essa apresentação para ajudar nos custos da vigem a Belo Horizonte, onde teremos três dias apresentações. Diante da ausência de patrocínio, com a temporada feita a partir da produção mesmo, em que contamos apenas com a bilheteria, resolvemos promover mais essa apresentação aqui em Aracaju para ajudar nos gastos durante o período que passaremos em Belo Horizonte. Estamos bem felizes com essa temporada por lá, no Teatro da Cidade, palco de grandes nomes artísticos que passaram e agora a gente, como ‘Billie’, que tem sido um sucesso aqui e também em outras cidades, com público gostando e o recebimento de críticas maravilhosas”, disse o diretor Raimundo Venâncio.


Numa permanência de ‘como se fosse a primeira vez’, superando as adversidades constantes do fazer arte, o musical sergipano se mantém com recursos próprios, conquistando um sucesso almejado quando ainda era roteiro e que agora é regojizo. “Era uma perspectiva nossa que o espetáculo tivesse um alcance máximo, um reconhecimento de todo o esforço colocado para a realização. Mas, nos demos conta mesmo disso quando da primeira apresentação fora do estado, em Recife (PE), onde fomos muito bem recepcionado pelo público e imprensa de lá, onde foram publicadas críticas valorosas. A partir de então, tivemos consciência do que tínhamos feito, apostado e seguimos com toda a alegria, que não cabe no peito e não há palavra que consiga definir, mensurar a sensação de cada apresentação do espetáculo”, afirmou.


Com convites de Norte a Sul do país e também para o exterior, Raimundo Venâncio fala sobre a necessidade de escolhas e destaca a apresentação inédito no Festival de Artes de São Cristóvão. “Desde que o festival voltou que tínhamos essa vontade, mas não havia um espaço adequado para a apresentação. Mas, este ano, marcaremos presença, pois a organização disponibilizará um espaço devidamente preparado para o espetáculo, possibilitando que mais gente possa assisti-lo no grande evento que é o Fasc. Estamos bem felizes e contentes em fazer parte desse tradicional evento que voltou com todo a efervescência cultural. São muitos os convites, mas nem em todos podemos estar presentes devido ao custo disso, mas vamos analisando e buscando cada vez mais levar ‘Billi’ mais longe, inclusive para Nova Iorque e Atlanta, nos Estados Unidos”, acrescentou.

Para 2020
Superando o julgamento de que a história da cantora norte americana não dialoga com o estado de Sergipe, Raimundo Venâncio garante que, em 2020, o objetivo é levar o espetáculo aos palcos das mais cidades do interior do estado. “Já nos apresentamos em Lagarto e Propriá e queremos alcançar mais ainda o interior. Pois, a história de Billie é de uma mulher negra, pobre, que foi estuprada, ou seja, existem muitas ‘Billie’s’ por aí. E esse é o nosso diálogo. Por isso, no próximo, a nossa meta é transitar mais no interior com o musical”, revelou Raimundo Venâncio.

Espetáculo
O texto dramático é ambientado num quarto de hospital em que se encontra a personagem Billie Holiday, diagnosticada com cirrose hepática pelo uso contínuo e descontrolado de álcool. Num monólogo solitário, ela expurga suas marcas indeléveis de dor e ressentimento, onde apenas a música consegue içá-la de seus porões de medo e infortúnio.


Lembra-se da miséria que viveu, do estupro que sofreu, do corpo prostituído, do rosto que teve que pintar com graxa de sapato para escurecer mais a pele, considerada muito clara para se cantar o jazz, e das máculas que teve que levar consigo, após seu último suspiro de vida. A acidez impressa no texto expõe o escárnio de uma sociedade perversa para com alguns dos seus. Principalmente se forem mulheres. E mulheres negras.
Numa atuação esplendorosa, a ‘cantriz’ Tânia Mara tem deixado o público em total êxtase, numa fiel semelhança com a grande diva negra do jazz.

 

 

 

| Reportagem: Gilmara Costa

|| Foto: Ruriá Venâncio