11/02/2019 as 14:25

SERGIPE

Injeção de R$ 9,5 milhões no Baixo São Francisco impulsiona produção de mel, arroz e turismo

Após visita, FIDA avalia positivamente o Dom Távora, executado pelo governo de Sergipe


Injeção de R$ 9,5 milhões no Baixo São Francisco impulsiona produção de mel, arroz e turismoFoto: Pritty Reis/Divulgação

“O que nós queremos é melhorar nossa qualidade de vida e ter um dinheirinho todo mês. Aqui, a gente vive basicamente da pesca. A expectativa da comunidade é grande, porque esse projeto vai ser uma complementação da nossa renda”, disse Maria Izaltina Silva Santos, presidente da Associação Remanescente de Quilombo da Comunidade Brejão dos Negros, no município de Brejo Grande. A associação protagoniza um dos três projetos escolhidos para receber a visita da missão do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (Fida) em Sergipe, nesta semana.

Além de Brejo Grande, o coordenador técnico do Fida, Emmanuel Bayle, esteve em Ilha das Flores e Japoatã, acompanhado dos técnicos do Projeto Dom Távora, da secretária de Estado da Agricultura, Desenvolvimento Agrário e da Pesca (Seagri) e da Empresa de Desenvolvimento Agrário de Sergipe (Emdagro). Nos três municípios do Baixo São Francisco, Bayle pôde conhecer os empreendimentos que, a partir de um financiamento de R$ 715.573,07 beneficia diretamente 138 famílias do campo. Bayle avaliou e considerou satisfatório o andamento das proposituras.

Em Brejão dos Negros, o plano de negócios está em fase inicial de implantação e se diferencia por beneficiar uma comunidade tradicional, ter maior participação de mulheres e por ser um projeto que inclui inovação, ao montar um empório voltado ao turismo. Além da implantação de tanques para criação de camarão, gerando renda para 59 famílias; se planeja que mais 23 associados vendam e produzam o artesanato e a culinária local aos visitantes atraídos pela foz do São Francisco e as reservas de Mata Atlântica - atividades em que alguns moradores já atuam como guias.

Para tanto, um aporte de recursos da ordem de R$ 438.539,88 está sendo destinado pelo Projeto Dom Távora, para reforma predial e aquisição de equipamentos para a instalação do empório; montagem de cozinha industrial; escavação e aparelhagem dos tanques de criação de camarão. O processo licitatório do projeto está em andamento, e a parte da carcinicultura aguarda liberação de licença ambiental. “Tem alguns produtos que a gente já vem trabalhando. O óleo de coco, o extraído a frio e o extraído a quente. Temos pessoas que fazem crochê para vender e pessoas que atuam na culinária, fazendo preparos para quem chega na nossa comunidade. Temos turismo aqui, uma área de mata, o manguezal; e nós temos a nossa roça, as nossas plantações”, complementa Izaltina.

Só no Baixo São Francisco, cerca de R$ 9,5 milhões estão sendo destinados pelo Dom Távora para financiar 36 iniciativas em Pacatuba, Santana do São Francisco, Neópolis, Ilha das Flores, Brejo Grande, Japoatã e Canhoba. Nestes municípios, 1.248 famílias receberão o investimento para a produção agrícola ou inovação no meio rural, gerando renda familiar através do trabalho e reduzindo a pobreza na região. Em todo o Estado, o Projeto destina quase R$ 41,5 milhões para a ampliação ou início de novos negócios coletivos. Ao todo o Dom Távora está orçado em US$ 28 milhões, sendo de US$ 12,6 milhões a contrapartida do governo do Estado. Até agora, o projeto tem alcançado 5.291 famílias. 
 
Clélio Vilanova Lemos e Silva, especialista em Negócios Rurais do Dom Távora, explica que foi a missão do Fida que determinou os projetos que pretendia visitar nesta segunda-feira, para fazer uma amostragem de avaliação, conforme o estágio de andamento do projeto, tipo de negócio proposto, participação de gênero, das comunidades tradicionais, e em diferentes municípios. “O objetivo está sendo, principalmente, dar conhecimento ao Fida do nível e execução desses planos que eles escolheram visitar. São três níveis de execução, um está no estágio já avançado, outro médio e outro começando. Estamos prestando contas da execução e mostrando que os recursos estão sendo aplicados”, esclareceu.

O prazo de execução do Dom Távora termina em setembro, mas existe a possibilidade da implantação de uma fase dois do projeto, em que mais 70 propostas poderão ser atendidas. Para Emmanuel Bayle, que exerce na missão a coordenação técnica de investimentos produtivos e comercialização, o envolvimento do Estado após a conclusão dos projetos, é determinante para que isso ocorra. "Eu acho que vai ser um dos argumentos. É um fator de sustentabilidade, ou seja, de garantir que os agricultores continuem recebendo o apoio do governo do Estado - e, em particular, dos técnicos da Emdagro - uma vez que o Dom Távora seja concluído. Esse envolvimento na implementação e no apoio à sustentabilidade do projeto é algo fundamental para o Fida”, pontuou Bayle.

Fonte: ASN











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