21/09/2021 as 09:11
ECONOMIAA pesquisa, realizada entre os dias 13 e 15 deste mês, 85% dos brasileiros disseram ter reduzido o consumo de alimentos como carne de boi, refrigerantes, sucos e laticínios
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A alta dos preços de alimentos tem forçado o brasileiro a fazer malabarismos entre uma refeição e outra. Tem sido cada vez comum reduzir o consumo de alguns itens ou trocar por outros menos onerosos. Esse cenário foi radiografado em pesquisa do Instituto Datafolha, publicada no jornal Folha de S.Paulo, nesta segunda-feira (20). Na pesquisa, realizada entre os dias 13 e 15 deste mês, 85% dos brasileiros disseram ter reduzido o consumo de alimentos como carne de boi, refrigerantes, sucos e laticínios.
No lugar da carne, o ovo tem sido muito utilizado como fonte principal de proteína, sobretudo, na mesa das famílias mais impactadas pela perda de renda causada pelo aumento do desemprego na pandemia de Covid-19. Segundo o levantamento, 67% dos entrevistados diminuíram o consumo de carne vermelha; 51% o de refrigerantes e sucos; e 46% o de leite, queijo e iogurte. A pesquisa também mostra que o uso de pão francês, pão de forma e outros pães apresentam redução de até 41%. Arroz e feijão, dupla que é símbolo da refeição dos brasileiros, também sofreu impactos, com redução de consumo de 34% e 36%, respectivamente. O macarrão teve uma queda ainda maior –de 38%. O ovo, item que vem sendo a proteína do dia a dia, registra dois fenômenos em paralelo: 50% das pessoas entrevistadas pelo Datafolha aumentaram o consumo do produto e outras 20% reduziram. Isso é um indicativo, segundo a pesquisa, da substituição de itens da cesta básica.
De acordo com o Datafolha, não houve grande diferença entre o percentual de pessoas com redução no consumo de itens alimentícios por idade ou escolaridade –todos com percentual em torno de 85%, em média. Por faixa de renda, os percentuais são elevados mesmo nas famílias com renda superior a dez salários mínimos: 67% disseram ter cortado algum desses produtos. Na parte inferior da pirâmide social, composta por pessoas que recebem até dois salários, o percentual alcança 88%. Entre as regiões do país, o percentual atinge 75%, no Sul; e 89%, no Nordeste.
Situação econômica piorou, aponta pesquisa
Quase sete em cada dez brasileiros (69%) dizem acreditar que a situação econômica do país piorou nos últimos seis meses, segundo pesquisa do Instituto Datafolha, publicada pelo jornal Folha de S.Paulo, nesta segunda-feira (20). Foram ouvidos 3.667 brasileiros de 190 municípios em todas as regiões do país. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. O resultado da pesquisa, realizada entre os dias 13 e 15 deste mês, está próximo de levantamentos que avaliaram o mesmo tema em gestões presidenciais anteriores.
Durante o governo de Dilma Rousseff (PT), em 2015, o índice atingiu 82%. Na gestão de Michel Temer (MDB), em 2018, o indicador alcançou 72%. No governo de Jair Bolsonaro (sem partido), a pergunta surgiu nos levantamentos de 2019 —primeiro ano do atual mandato presidencial, com 35% dos brasileiros apontando piora nos indicadores econômicos. O mesmo questionamento não foi feito em 2020, início da pandemia de Covid-19, e só reapareceu agora. Para os apoiadores do governo Bolsonaro, 31% avaliam que a economia apresentou melhora. Outros 36% disseram que houve piora. Já para 32%, a situação encontra-se estável. Quando a percepção é estratificada por grupos, o cenário tende a ser visto com mais pessimismo entre as mulheres. Para 74% das ouvidas, a economia brasileira está ruim ante 62% dos homens.
Por faixa etária, a percepção também oscila: para pessoas de 16 a 44 anos, 70% dizem que a economia vai mal; cinco pontos percentuais abaixo estão os entrevistados acima desta faixa etária. Católicos (71%) estão mais pessimistas do que os evangélicos (62%), mostra outro recorte da pesquisa. O fator renda também influi na percepção sobre a condução dos rumos da política econômica. Segundo o Datafolha, a avaliação de que a economia vai mal cai conforme cresce a renda da pessoa entrevistada. Para 70% dos que ganham até dois salários mínimos, a economia piorou. Já para quem vive com renda acima de dez salários mínimos, essa percepção alcança os 62%.