20/05/2019 as 19:17

ENTREVISTA - MILTON DANTAS

“Para termos times nas categorias principais é preciso organização e investimento, o que hoje, infelizmente, não temos”

Existem hoje no Estado de Sergipe 20 estádios de futebol, para 29 equipes



A Federação Sergipana de Futebol (FSF), há alguns dias, disse estar estudando a possibilidade de administrar os estádios de futebol sergipanos durante um período de 10 anos. Para isso, a entidade busca Parcerias Públicas e Privadas (PPP), a fim de proporcionar melhores condições para os times e torcedores do estado. Passariam a serem administradas pela FSF os estádios de Itabaiana, Maruim, Simão Dias, Estância, Lagarto e Aracaju.
Ao Caderno Municípios do Jornal da Cidade, o presidente da Federação Sergipana de Futebol, Milton Dantas, falou sobre como funcionaria, na prática, essas parcerias. “O Governo do Estado continua sendo o maior patrocinador do futebol em Sergipe. Ele arca com as despesas maiores como reformas, pagamento do contingente policial que é exigido por lei em todas as partidas, construções e entrega. Todo o resto poderia ficar por conta dos patrocinadores privados”, disse.
Segundo ele, os seis estádios citados no projeto foram escolhidos por causa da maior concentração de público e de torcedores, assim como também a estrutura dos estádios e região onde eles são localizados. Milton Dantas também aproveitou para fazer um panorama da situação do futebol em Sergipe. “Posso dizer que apenas 50% dos estádios apresenta condições de realizar evento (jogos, shows). Os demais estão em péssimas condições ou até mesmo interditados”, lamenta.
Para ele, a relação entre o fraco desempenho dos times sergipanos nos campeonatos nacionais está totalmente ligada a falta de estrutura e investimento no futebol local. “O problema hoje é que não temos clubes nas categorias A e B do campeonato brasileiro, não temos como despertar o interesse dos patrocinadores e investidores por não estarmos no cenário nacional. Para termos times nas categorias principais é preciso organização e investimento, o que hoje, infelizmente, não temos”, enfatiza. Confira a entrevista completa.


JC MUNICÍPIOS - Quantos estádios de futebol existem em Sergipe? Quantos deles apresentam condições de uso?


MILTON DANTAS - Existem hoje no Estado de Sergipe 20 estádios de futebol, para 29 equipes. Posso dizer que apenas 50% desse número apresenta condição de realizar eventos (jogos, shows). Os demais estão em péssimas condições ou até mesmo interditados.

JC MUNICÍPIOS - Quais estádios ainda recebem jogos de futebol profissional em Sergipe? Quem administra esses estádios? Qual é a avaliação que a FSF tem sobre esses estádios?


M.D. – Não temos essa número exato no momento, porque muitas unidades são reabertas ou foram fechadas recentemente, e precisamos receber as notificações. Mas estamos fazendo uma atualização dessa situação.

JC MUNICÍPIOS - Qual é a situação dos demais estádios, que já não recebem mais jogos? Qual é a pior situação?


M.D. – Alguns estádios em Sergipe, para se ter uma ideia, estão em condições tão ruins que não só foram fechados, mas sim interditados, pois ofereciam riscos a quem frequentava. Temos problemas em todas as áreas: estrutura física e condições gerais do gramado, dos banheiros, dos vestiários. As piores situações hoje são observadas em Própria, Itabaiana e Aracaju. Mas vale lembrar que a cidade de Aracaju não possui um só estádio ou ginásio que seja administrado pelo município, aqui tudo que tem é pelo Governo.

JC MUNICÍPIOS - Todos os estádios de Sergipe são públicos? A quem cabe a administração deles? Qual é o papel dos municípios? Qual é a contrapartida dos clubes que mandam seus jogos nesses estádios?


M.D. - Não! A administração dos estádios em Sergipe varia. Por exemplo, temos hoje 20 estádios dos quais oito são geridos pelas prefeituras, seis pelo governo, temos três particulares e três que são próprios. O governo executa a obra, seja de reforma ou de construção, e só depois é passada a responsabilidade para o município. Os clubes não arcam com despesas, eles apenas arrecadam e passam a porcentagem correspondente ao órgão que administra o local.

JC MUNICÍPIOS - Quanto custa, em média, a gestão de um estádio de futebol? O que ela envolve? São cobradas taxas de utilização? quem gere essas taxas?


M.D. - O custo médio varia porque vai depender do tamanho de cada um, das parcerias firmadas e da participação do Governo Estadual. Esse custo é para cobrir as despesas com o pessoal que trabalha nos eventos e funcionários fixos, manutenção do gramado, das arquibancadas, portarias, etc. É sempre revertido para benefício do próprio local.

 

JC MUNICÍPIOS - Há algum recurso público para custeio desses estádios?


M.D. - O único recurso que temos vem do Governo e dos órgãos privados. O Banese, que já foi um grande incentivador, hoje já não patrocina nada do futebol em Sergipe. Durante um tempo a Caixa Econômica contribuiu bastante e hoje o grande patrocinador é o Sistema Atalaia de Comunicação.

JC MUNICÍPIOS - Como funcionaria a Parceria Público-Privada para gestão desses seis estádios (Itabaiana, Maruim, Simão Dias, Estância, Lagarto e Aracaju)?


M.D. - O Governo do Estado continua sendo, ainda, o maior patrocinador do futebol em Sergipe. Ele arca com as despesas maiores como reformas, pagamento do contingente policial que é exigido por lei em todas as partidas, construções e entrega. Todo o resto poderia ficar por conta dos patrocinadores privados. Vemos como o governo de Bahia fez com a Arena, que hoje é chamada de Itaipava por conta do patrocínio. Em troca foi cedido para a marca de bebidas o direito exclusivo de vendas, assim como também a distribuição exclusiva das imagens geradas dentro das dependências do estádio. Isso poderia dar muito certo aqui, pois deixaria margens para o Governo investir em mais locais e setores.

JC MUNICÍPIOS - O que essas PPPs podem proporcional de melhoria? Porque foram escolhidos somente esses seis?


M.D. - Essas parcerias vão ajudar nos gastos mensais que são fixos. Os clubes têm, em média, 40 funcionários de carteira assinada, o que onera e muito os recebimentos. Além disso, tem os gastos com energia elétrica e água que também são altos. A escolha desses seis locais foi baseada no tamanho das praças esportivas. Foram escolhidos os locais com maior concentração de público e de torcedores, assim como também a estrutura do estádio e região.

JC MUNICÍPIOS - Para você, existe alguma relação entre a situação dos estádios em Sergipe e o fraco desempenho dos clubes locais em competições nacionais?


M.D. - Com certeza, sim! O problema hoje é que não temos clubes nas categorias A e B do campeonato brasileiro, não temos como despertar o interesse dos patrocinadores e investidores por não estarmos no cenário nacional. Isso torna a situação ainda pior porque, para termos times nas categorias principais é preciso organização e investimento, o que hoje, infelizmente, não temos.

JC MUNICÍPIOS - De quanto é o patrocínio do Banese para Federação Sergipana de Futebol?


M.D. – Hoje, mais nada!

JC MUNICÍPIOS - Quanto o futebol sergipano movimento em recursos (R$) por ano?
M.D. - A receita do campeonato passado foi de R$ 2 milhões. Esse ano, com certeza, deve cair pela metade, algo em torno de apenas R$ 1 milhão.

FOTO – RAPHAEL FARIA