19/05/2026 as 10:24

ENTREVISTA

Raphael Paixão e a construção de um novo olhar sobre estilo

Em um cenário onde o consumo se orienta cada vez mais pelo desejo e pela identificação, Raphael aposta em um modelo que privilegia menos volume e mais significado, conectando produto e repertório de forma estratégica.

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Com um olhar que transita entre estética, comportamento e experiência, Raphael Paixão construiu uma trajetória singular no mercado sergipano. Interior designer de formação e fashion-minded por essência, ele encontrou na interseção entre moda e arquitetura um território fértil para desenvolver a RAPH — uma flagship que vai além do varejo tradicional e se posiciona como plataforma de estilo. Sob sua direção, a RAPH se consolidou como um espaço de curadoria precisa, onde marcas com DNA autoral dividem protagonismo com uma experiência sensorial que envolve design, atendimento e narrativa. Em um cenário onde o consumo se orienta cada vez mais pelo desejo e pela identificação, Raphael aposta em um modelo que privilegia menos volume e mais significado, conectando produto e repertório de forma estratégica. A seguir, ele compartilha sua visão sobre moda, mercado e comportamento:

JC SOCIAL. Você começou sua trajetória como designer de interiores, mas a moda sempre esteve presente. Em que momento esse universo deixou de ser paralelo e passou a ser central na sua carreira?
RAPHAEL PAIXÃO
 - A moda nunca foi exatamente um universo paralelo, ela sempre esteve ali, pulsando de forma muito natural na minha trajetória. Cresci dentro do comércio, observando comportamento, entendendo desejo, percebendo o valor da estética no dia a dia. O design de interiores me trouxe repertório, olhar técnico, senso de proporção e harmonia. Mas houve um momento em que eu entendi que o vestir poderia traduzir tudo isso em algo mais dinâmico e imediato. Quando percebi que a moda me permitia impactar diretamente a forma como as pessoas se enxergam e se expressam, ela deixou de ser um interesse e passou a ser um dos eixos centrais da minha vida.

JC SOCIAL - Na sua visão, qual é a principal conexão entre moda e design de interiores? Onde esses dois campos se encontram na prática?
RP - Moda e interiores falam sobre identidade. Ambos constroem narrativas visuais e emocionais. Na prática, essa conexão está no olhar, na curadoria, na composição, na escolha de texturas, cores e proporções. Um ambiente e um look precisam ter coerência, personalidade e intenção. Eu costumo dizer que vestir alguém é como ambientar um espaço e você precisa entender quem aquela pessoa é, como ela vive, o que ela quer comunicar. É um exercício constante de sensibilidade e leitura de comportamento

JC SOCIAL - É notório a sua expertise em curadoria. Como você traduz esse conceito dentro da loja e qual o impacto disso na experiência do cliente?
RP - Curadoria, para mim, é um ato de precisão. Não se trata apenas de escolher peças bonitas, mas de entender profundamente para quem elas são destinadas. Quando estou em um showroom ou em uma semana de moda, eu não compro apenas para a loja, eu compro já imaginando a cliente, o momento, a ocasião. Isso cria uma experiência muito mais assertiva dentro da RAPH. A mulher sergipana tem uma elegância muito particular. Ela sabe o que quer, valoriza qualidade e exclusividade. É uma mulher do litoral, mas ao mesmo tempo traz um frescor urbano, com muita bossa e um olhar atento aos detalhes. Gosta de se destacar de forma sutil, sem excessos, mas com personalidade. Transita com naturalidade entre diferentes ocasiões, do casual ao sofisticado, sempre mantendo um olhar apurado.

JC SOCIAL - O que diferencia a RAPH dentro do cenário local, especialmente quando falamos de moda premium e contemporânea?
RP - A RAPH nasce desse compromisso com o olhar. Não é apenas uma loja, é um espaço de experiência. O que nos diferencia é justamente essa curadoria minuciosa, quase cirúrgica, aliada a um atendimento próximo, personalizado. Trabalhamos com marcas que têm identidade forte, mas que também dialogam com o perfil da nossa cliente. Além disso, buscamos constantemente surpreender, seja através de peças exclusivas, seja através de experiências como o Cris Barros Day, que vão além da compra e criam conexão. A RAPH não é sobre volume, é sobre significado.

JC SOCIAL - Marcas exclusivas, como Cris Barros, Coven, TIG, Adriana Degreas, Paula Raia, entre outras, têm presença consolidada na loja. Como você percebe a conexão do público com as grifes?
RP - Existe uma conexão muito genuína. A cliente da RAPH não busca apenas uma marca, ela busca o que aquela marca representa. Quando trabalhamos com labels como essas, estamos trazendo narrativas, propostas estéticas muito bem definidas. E o interessante é ver como o público se identifica com isso, como cada marca encontra seu espaço dentro do guarda-roupa dessas mulheres. Elas entendem o valor da exclusividade, do design autoral, do acabamento. E, principalmente, confiam na nossa curadoria para apresentar novidades que façam sentido dentro do estilo de vida de cada uma delas.