25/06/2019 as 10:19

ASSALTOS CONSTANTES

Ponto turístico se transforma em local para usuários de drogas

Em Amparo do São Francisco, Orlinha está abandonada e comerciantes clamam por atenção do Poder Público


Às margens do Velho Chico, a população do município de Amparo do São Francisco desfruta de um visual que poucos têm acesso. O rio correndo em frente, um pôr do sol de encher os olhos, e uma culinária à base de peixe frito, moquecas e mariscos característicos da região, uma combinação perfeita para dias de celebração com a natureza. Cenário ideal e que por muito tempo atraiu não só a comunidade local, mas turistas das cidades vizinhas, que lotavam os bares e aproveitavam os finais de semana de descanso.

No entanto, há pelos menos três anos, o único ponto de movimentação turística de Amparo do São Francisco está abandonado, devido a uma obra iniciada durante a gestão passada e que não foi concluída, nem assumida pela atual administração do município. “A única coisa que temos aqui é a Orlinha. Nos bons tempos, paravam os ônibus lotados de gente, que aproveitavam nossos pratos típicos e a beleza do rio. Mas agora, a realidade é essa. Um descuido sem tamanho. Nem a limpeza vem sendo feita”, lamenta a comerciante Marlene Santos, que ainda mantém um bar no local.

Moradora de Amparo desde que nasceu, há 42 anos, ela conta que no último final de semana, o comércio da família não vendeu nada, o movimento foi praticamente zero. “No domingo, por exemplo, não entrou R$ 0,50 centavos no caixa. No tempo que havia investimento aqui, chegavamos a comercializar, em média, 20 caixas de cerveja por dia, além do tira-gosto, almoço e outras bebidas não alcóolicas. O nosso prejuízo foi muito grande, e continua sendo a cada final de semana”, lamenta.

Marlene Santos diz que a informação passada para eles, inicialmente, foi de que o dinheiro para a obra estava bloqueado. Depois, de acordo com ela, disseram que a paralisação do serviço se deu por causa da falta de licença ambiental da Administração Estadual do Meio Ambiente (Adema). “A verdade é que dizem muita história, mas, de fato, nada fazem. As pessoas que tiravam o sustento totalmente daqui, estão se virando como podem. Está tudo fechado, praticamente”, protesta.

Assaltos constantes

Não bastasse o baixo faturamento, os comerciantes ainda precisam conviver com a falta de segurança no local. Não há iluminação adequada, o que afasta, ainda mais, o movimento quando o começa a anoitecer, e os assaltos são constantes. O bar de Dona Anadir Muniz, por exemplo, já foi assalto três vezes. “Graças a Deus, em nenhum dos episódios a gente estava presente. Saímos em um dia e quando retornamos no outro encontramos tudo arrombado e revirado”, conta.

Já o comércio ao lado – que estava fechado quando a equipe do Caderno Municípios visitou a região –, não teve a mesma sorte. Segundo Anadir, o colega já foi assaltado cerca de cinco vezes e, em um deles, os bandidos estavam armados e ameaçaram os proprietários do bar. “Aqui virou ponto de droga, de sexo, local para acúmulo de lixo e mato, próprio para a ação da bandidagem”, denuncia.

Para a comerciante, o desprezo por pontos importantes da cidade nunca foi tão grande. Além da Orla, há a Biblioteca e o Telecentro abandonados – já mostrado pelo Caderno Municípios do Jornal da Cidade, na edição do dia 8 de junho –, além de uma quadra de esportes, onde costumavam acontecer os principais eventos esportivos e culturais. “Se o outro prefeito não terminou, o atual que termine. Porque a obra é do povo da cidade, não de político”, reclama.

Encabeçando a luta pela retomada das obras da Orlinha de Amparo, o vigilante Florival Neto dos Santos revela que, na verdade, os moradores aguardam por este serviço há cerca de oito anos. “A construção iniciou na gestão do prefeito anterior, não foi concluída, e agora está totalmente parada e abandonada. O povo quer o retorno e a conclusão, pois esse local é o que alavanca o turismo da região e gera renda para muitas famílias”, afirma.

Sem respostas

O JORNAL DA CIDADE entrou em contato, por telefone, com o prefeito de  Amparo do São Francisco, Franklin Freire, porém o gestor não atendeu a ligação. Ainda assim, este Caderno se compromete em permanecer à disposição para ouvir do então administrador quais os verdadeiros entraves para a conclusão da obra da Orlinha e quais as ações imediatas para a segurança da região. Com a palavra, o prefeito...  

 

Cobrança na Assembleia

A deputada estadual, Kitty Lima, levou o assunto para a bancada da Assembleia Legislativa, cobrando do Governo do Estado e da Prefeitura de Amparo algum posicionamento sobre o problema. “O que vemos, na verdade, é um jogo de empurra-empurra entre os dois poderes. Uma demonstração clara de falta de respeito com o povo e com a coisa pública”, reclamou a parlamentar, durante seu pronunciamento.

Kitty Lima contou que foi buscar uma explicação junto à Adema, já que a administração do município alegou que o entrave na obra estava relacionado a uma licitação do órgão. “O diretor-presidente, Gilvan Dias dos Santos, informou que não há qualquer problema. Disse, ainda, que a prefeitura precisa, na verdade, solicitar a regularização das documentações junto ao órgão ambiental, afastando qualquer inviabilidade que justifique a paralisação das obras em Amparo”, contou a deputada.

Kitty Lima é autora do projeto de lei que tramita na Alese e visa coibir a inauguração de obras inacabadas no estado, ou aquelas que, mesmo tidas como concluídas, não estejam em condições de atender ao que deveriam. De acordo com informações da comissão especial do Senado Federal, existem, atualmente, 22 mil obras inacabadas no país, o que causa enormes prejuízos aos cofres públicos e causa transtorno aos municípios necessitam do serviço que deveria ser prestado em consequência da obra.

 

Fotos: Raphael Faria











Quer receber as melhores notícias no seu Whatsapp?

Cadastre seu número agora mesmo!

Houve um erro ao enviar. Tente novamente mais tarde.
Seu número foi cadastrado com sucesso! Em breve você receberá nossas notícias.