22/09/2012 às 10h36 - Entrevistas

“Deixamos grande legado na Mobilidade Urbana de Aracaju”

Prestes a encerrar o mandato de prefeito de Aracaju, Edvaldo Nogueira traçou um panorama do que foi feito em mobilidade urbana durante a sua gestão.

Por: Wilma Anjos – JornaldaCidade.Net

 

Antes de encerrar o mandato, em janeiro de 2013, Edvaldo Nogueira falou com a reportagem do JornaldaCidade.Net sobre um assunto delicado e que é a maior pedra no sapato dos aracajuanos: a mobilidade urbana. Questionado sobre o seu legado no setor, o gestor municipal declarou que uma infinidade de ações e obras foram feitas em seis anos de mandato, sempre em busca da fluidez no trânsito de Aracaju. Entre elas, Nogueira cita os 100 quilômetros de ciclovia que deixa de herança para os próximos governos. Para ele, é uma situação que Aracaju vive à frente do tempo. Sobre a renovação de frota do transporte de ônibus coletivo, ele diz que cumpriu o seu papel, e hoje Aracaju conta com 88% de ônibus novos. Quanto ao reajuste zero na tarifa de ônibus de 2012, Nogueira sugeriu que esta questão agora fica para quem assumir o próximo mandato, que sua parte ele já fez – congelou a tarifa de 2012, baseado, segundo o administrador, em estudos sérios.  Confira conversa na íntegra:

Temos um grande legado na mobilidade urbana, disse prefeito Edvaldo Nogueira. Foto: André Moreira/Equipe JC

 

JornaldaCidade.Net: Transporte público coletivo ainda é o maior problema de Aracaju? 

Edvaldo Nogueira: Nunca na história da cidade tivemos uma renovação de frota como foi feita: mais de 300 ônibus novos colocados em quase cinco anos. É a maior renovação da história da prefeitura de Aracaju.

 

JC.Net: Então, este é o maior legado de sua gestão é em mobilidade urbana?

EN: O maior legado que estamos deixando é na mobilidade urbana. São 100 quilômetros de ciclovia em Aracaju. Quando nós chegamos aqui, a herança que nossos adversários deixaram foi dez quilômetros de ciclovia. Eles nunca fizeram um projeto desse. O último prefeito que fez foi Heráclito Rollemberg, 1979. Mas quem fez a ciclovia aqui foi Marcelo Déda e Edvaldo nogueira, depois de Heráclito Rollemberg. Nós passamos de dez para 100 quilômetros de ciclovia. É a maior malha cicloviária do Brasil. Inclusive, Aracaju tem mais malha cicloviária física que no Rio de Janeiro. Proporcionalmente nós somos a primeira cidade brasileira em malha cicloviária. Aliás, nós e Sorocaba (SP). É uma grande herança. As pessoas até elogiam, mas elas querem mais. 

 

JC.NET: Voltando a questão do transporte público, prefeito, o que o senhor tem a nos dizer?

EN: O transporte público melhorou sensivelmente com a renovação de frota, mudança nas ruas, mudança no trânsito, semaforização à led [componente eletrônico semicondutor, ou seja, um diodo emissor de luz], tudo isso melhorou. Se você for comparar o transporte de oito anos atrás, melhorou. Obviamente que teve um fato que agravou e não é só em Aracaju, mas no Brasil inteiro, que é quantidade de carros que aumentou. Não é um problema de Aracaju, é um problema do mundo. A humanidade está com este problema para enfrentar. Em São Paulo tem candidato propondo uma porção de coisas para melhorar. Salvador também. Aracaju é ainda a capital nordestina com o melhor trânsito. Melhor que Maceió (AL), Fortaleza (CE), Recife (PE), ou seja, ainda é a cidade de melhor trânsito. Obviamente nós temos problemas que devemos enfrentar, no trânsito e na mobilidade urbana.

 

JC.Net: O que senhor classifica como mobilidade urbana?

EN: Mobilidade urbana não é apenas transporte coletivo. Isso é uma parte da mobilidade urbana. Nós melhoramos, precisamos melhorar ainda mais, e é por isso que eu queria fazer a licitação de transporte público e infelizmente estão todos contra. A licitação melhoraria, mas entrando na Justiça para parar o projeto. Fiz o trabalho, organizamos, planejamos os corredores exclusivos de transporte para ônibus, que estão planejados, mas só podemos pensar nisso quando for feita a licitação. De qualquer forma vamos deixar os projetos prontos para que os próximos prefeitos possam dar continuidade a esse trabalho.

 

JC.Net: Resumindo, o senhor deixa as ciclovias e a proposta do plano de mobilidade para o seu sucessor?

EN: Não só isso. De mobilidade urbana o legado é grande. O viaduto do Distrito Industrial de Aracaju, por exemplo, é uma obra que mudou o trânsito da cidade. Não sei se você lembra como era o trânsito no local e como ele está hoje. Resolveu um grande problema de mobilidade. Quanto às ciclovias, reforço: hoje você tem toda a área norte e sul da cidade, áreas centrais e zona norte, todas interligadas. Se você pegar a ciclovia que sai da Avenida Santa Gleide, na zona norte, ela vem até o centro da cidade pela Coelho e Campos. É uma coisa que poucas cidades têm nessa magnitude. O morador do Bugio pega a Santa Gleide de bicicleta, entra pela avenida são Paulo, entra na Coelho e Campos e chega até o Mercado. É um projeto que cruza leste e oeste na cidade. Do ponto extremo da cidade de Aracaju até a beira do rio. 

Na avenida beira mar, que é uma via turística, da 13 de julho até a Atalaia. Tem a outra ciclovia que é a ciclofaixa, que vai até a Coroa do Meio e se encontra com a outra que sai em frente ao shopping Riomar. Tem ainda a ciclovia da Beira Mar, que passa toda a Tancredo Neves e vai até o Terminal de Integração. Que é a chamada ciclovia dos trabalhadores. Porque aqui se você passar seis horas da tarde você vai ver a quantidade de trabalhadores da construção civil, principalmente andando nessa ciclovia. Eles saem das obras que se concentram na Jabotiana, 13 de julho.

Essa mobilidade gera economia para as pessoas. Aracaju não contava com ciclovia há dez anos. É um legado maravilhoso. Aracaju vive à frente do tempo. Quando a gente começou a fazer ciclovia, não estava na moda. Não foi modismo. Eu fiz porque compreendi que mobilidade urbana é sempre necessária. Quanto mais você investir em meios alternativos, você melhora o transporte coletivo.

 

 

JC.Net: O senhor poderia falar um pouco do projeto do Veículo Leve sobre Trilhos (VL)? É uma ideia sua que passa adiante?

EN: Fiz o primeiro estudo de VLT. Está aqui o estudo, deixei pronto. Infelizmente não pode ser feito porque é um transporte caro e que precisa de uma série de coisas e de estudos para implantar. 

 

JC.Net: Enquanto este meio de transporte moderno não chega, os usuários continuam à mercê de um serviço de transporte público que deixa a desejar? 

EN: Nos seis últimos anos, 360 novos ônibus zero quilômetro foram entregues. Ou seja, quase 70% da frota. Nunca existiu isso na cidade de Aracaju. Não teve período na cidade de Aracaju com tamanha renovação. Não teve prefeito na cidade de Aracaju, que em seis anos colocasse em circulação 360 novos ônibus. Não existe na prefeitura de Aracaju nenhum prefeito que tenha feito isso. Isso é preocupação com a mobilidade urbana. Inclusive, fomos nós que colocamos em nossa administração. Melhorando a acessibilidade. Diminuindo as filas. nós que colocamos. Em Aracaju todos os ônibus têm GPS. 

Nós somos proporcionalmente a menor tarifa de transporte coletivo. Fomos nós que fizemos. Isso ajuda a mobilidade, porque mais pessoas podem tomar o ônibus quando você diminui a passagem. Hoje, quase 26% da população não toma ônibus porque não tem dinheiro. E pouca gente fala disso. Isso é um dificultador da mobilidade urbana. Muita gente tem que andar a pé e não consegue entrar no transporte coletivo. Congelamos o preço da passagem, demos reajuste zero, ajuda na mobilidade urbana. 

 

JC.Net: Esse congelamento de 2012 na tarifa de ônibus coletivo será repassado para o usuário em 2013?

EN: Pergunte aos candidatos. Eu não sou candidato. Se eu estivesse candidato, não daria. 

 

JC.Net: O papel de Edvaldo Nogueira, então, se resumiu a congelar o reajuste e deixar a consequência disso para o sucessor na prefeitura? 

EN: Nos seis anos que sou prefeito, foram os menores índices de reajuste. É só você pesquisar. Se você tiver o cuidado de pesquisar, você vai ver que as tarifas que eu dei durante os seis anos de mandato são as menores da história da cidade. Pode pesquisar. Nenhuma foi acima da inflação. Nenhum prefeito de Aracaju fez uma política tarifária tão justa como eu fiz. Não tem na história, pode pesquisar. E fui mais além, porque este ano eu não dei reajuste. O que vai acontecer no ano que vem eu não posso responder. Se eu pudesse ser candidato a prefeito eu responderia. Se eu fosse candidato nessa eleição e ganhasse, eu não ia incorporar esse reajuste de 2012 a 2013. Quem fizer isso está fazendo errado. Esse reajuste foi calculado e é o reajuste correto. Eu não congelei a tarifa do transporte coletivo, por um jogo eleitoreiro. Eu não sou candidato, e congelei porque vi que a tarifa tinha a possibilidade de ser congelada. Estudamos cientificamente. O lucro da empresa foi considerado, repare que estão todos andando. A frota foi melhorada, o que precisa fazer é renovar mais 12% para termos 100%. Eu renovei 88%, 12% fica para o próximo prefeito renovar. Eu renovei em quatro anos 88%, será que o próximo não pode renovar 12%? 

 

JC.Net: A mudança no trânsito de algumas vias foi muito criticada.  

EN: Fechamos vias, alteramos sentido de binário, as medidas do centro da cidade de diminuir estacionamento em certas áreas para melhorar o fluxo. O centro hoje da cidade ficou muito mais fácil de se andar. Estamos deixando dois projetos de dois grandes estacionamentos, mas não vamos poder fazer porque estamos terminando o mandato. Mas o projeto foi discutido com a associação comercial. Estamos deixando algo que nunca teve na cidade de Aracaju. Tem o Plano de Mobilidade Urbana que estou terminando e enviando para a Câmara de Vereadores. Nenhum prefeito se preocupou com isso. Eu sou o primeiro prefeito que se preocupa com isso. E não estou falando da boca para fora. Essas medidas todas que tomei, além do fato de que estou deixando o primeiro Plano de Mobilidade Urbana que vou enviar para a Câmara de Vereadores. Onde vai estar o estudo científico dos principais problemas e os caminhos propostos, como os corredores exclusivos. 

 

JC.Net: Ainda não teremos corredores exclusivos para ônibus este ano? 

EN: Ficará para o meu sucessor, porque alguma coisa tem que ficar. Ninguém pode fazer tudo. 

 

JC.Net: Qual foi o problema da licitação de transporte público coletivo?

EN: Infelizmente eu não fiz porque está na Justiça. Os empresários não permitiram que fizesse, e a Justiça paralisou. Eu não posso fazer apulso. Infelizmente saiu da minha ossada, de todas as medidas o que o poder público podia fazer. A luta que eu empreendi foi igual à luta do aterro sanitário. Eu queria também fazer o aterro sanitário, mas infelizmente a Adema não permitiu. Tem que ser em outro município. Quem for eleito e não fizer o esforço que eu fiz, quem sabe até o corredor não seja feito em quatro anos. Se não tiver esforço e dedicação, pode não sair. 

 

JC.Net: Empresários dizem que o reajuste zero, aliado à excessiva gratuidade e altos impostos emperram a melhoria no serviço de transporte coletivo público. O senhor concorda?

EN: Nós reduzimos três por cento de ISS. São só dois pro cento de imposto! Quem foi o prefeito que fez isenção de imposto? De cinco baixamos para dois. Você não se lembra disso? Faça essa pergunta aos empresários. Eu não sou empresário e nem tenho conversa com empresário. Estou preocupado com a cidade. Eu quero é que eles cumpram com o papel deles. Que coloquem um transporte de qualidade, que é isso que eu tenho feito. E tenho enfrentado. Licitação que ninguém nunca fez, fui eu que fiz. Coragem de enfrentar. Quem foi que botou licitação na rua? Quem foi que publicou o edital? Infelizmente eles entraram na Justiça e conseguiram paralisar o processo. É a democracia, o prefeito não é um ditador. Eu não posso fazer as coisas se a Justiça manda parar. Estou esperando o resultado. Se o Tribunal de Contas do Estado acatar a nossa contestação e liberarem, eu abro os envelopes depois de amanhã. Estou louco para fazer a licitação, que é um compromisso que eu fiz na campanha. Aliás, é o único compromisso que fiz durante minha campanha eleitoral que corro o risco de não cumprir. Tudo que eu prometi eu cumpri, diferente de quem está fazendo campanha eleitoral prometendo mirabolância.

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