José Avelar Pereira Mattos nasceu a 28 de setembro de 1959, na cidade de Paulo Afonso/Bahia. Seus pais: José de Oliveira Mattos (in memoriam) e Deolinda Magalhães Mattos.
O pai nasceu em Morro do Chapéu, Bahia. Era farmacêutico. Muito jovem, começou a trabalhar na farmácia de um amigo na cidade de Jeremoabo, Bahia. Anos depois, de empregado passou a ter sua própria farmácia na mesma cidade. “Foi lá que ele conheceu minha mãe, Dona Dió. Natural de Gandarela, em Portugal, próximo à capital, Porto, ela foi criada pelo tio monsenhor José Magalhães, pároco da cidade. Namoraram pouco tempo e se casaram em Salvador, cuja celebração foi feita pelo meu tio, padre José Pereira de Souza, conhecido na Bahia como Padre Pereirinha. Era um cientista; simples e muito inteligente. Tinha doutorado em Botânica. Lecionou por muitos anos na Universidade Federal da Bahia, Faculdade Católica e no Colégio Central de Salvador”.
“Logo após o casamento, meu pai foi morar com minha mãe em Paulo Afonso. Na cidade chegou a ter duas farmácias Senhor do Bomfim. Ele adorava fazenda. Tinha três fazendas: uma próxima a Paulo Afonso e duas em Jeremoabo. Criava gado e gostava muito de andar a cavalo. Amava o campo. Nos finais de semana ele fazia questão de levar a mulher e os filhos para uma das fazendas. Sempre foi um homem sério, de palavra e trabalhador”.
“Acho que herdei essas características do meu pai. Eu tenho orgulho de dizer que sou filho do senhor Marotinho da farmácia e de dona Dió. Comerciante conhecido e respeitado, ele foi um dos fundadores da Associação Comercial de Paulo Afonso. Chegou até a ensaiar entrar na política, mas não levou adiante esse projeto; preferiu continuar dando sua contribuição para a cidade de outra forma. Era um farmacêutico bastante procurado na cidade. Fazia remédios e receitava muita gente. Muitos diziam que era o “médico” dos pobres. Em muitos casos, dava os remédios sem cobrar nenhum tostão. Morreu muito cedo: aos 52 anos. No dia 25 de dezembro de 1968, por volta das 20 horas, passou mal em casa na presença dos filhos e da mulher e foi levado com urgência para o hospital Nair Alves de Souza. Diante do quadro grave, os médicos acharam melhor levá-lo para Salvador. Na madrugada do dia 26, um jatinho da Chesf o levou para o Hospital Português, mas ele não resistiu à hemorragia no esôfago e morreu no dia 27 de dezembro. O co
po dele foi velado e sepultado em Salvador”.
Sua mãe - Dona Dió, é um exemplo de mulher. Dedicou sua vida inteira aos cinco filhos que teve: José Wanderley, Joselinda Pereira Mattos, Maria de Fátima, José Antônio e José Avelar. Dois já faleceram: José Wanderley e Joselinda. “Pouco mais de dois anos que meu pai morreu, minha mãe perdeu seu filho mais velho: José Wanderley. Ele morreu aos 17 anos vítima de leucemia. Já minha irmã faleceu de câncer de mama aos 47 anos. Ela deixou dois filhos: Matheus e Marcela. Minha mãe sempre diz que enterrar um filho é a maior dor que um ser humano pode suportar. Quando meu pai era vivo, ela fica só em casa cuidando dos filhos e administrando os empregados da casa. Meu pai não queria que ela trabalhasse na farmácia, mas o destino colocou nas mãos dela a responsabilidade de tomar conta do comércio e das fazendas sem ter nenhuma experiência. Apesar das dificuldades, ela conseguiu superar todos os obstáculos e criou os cinco filhos com dignidade. Em pouco tempo minha mãe aprendeu a lidar no comércio. Receitava e aplicava injeção muito bem. Todos na farmácia diziam que ela tinha uma “mão santa”.
Em 1977 sua minha mãe vendeu as farmácias, e foi morar com os filhos em Salvador. “Tínhamos uma casa na Pituba. Nessa época eu estava com 16 anos. Hoje minha mãe está com 89 anos. Apesar da saúde fragilizada (há 8 anos é cadeirante), é uma mulher feliz e recebe constantemente o carinho e a atenção dos filhos: Nuna, Tata e Bila, apelidos dos três filhos que estão vivos. Minha mãe sempre foi uma mulher calma, pacificadora, justa, sincera, amiga e de um coração sem tamanho. Passou sua vida doando aos outros, seja os filhos, netos, amigos ou qualquer pessoa que precisou da sua ajuda. Tenho um pouco dela também nesse aspecto. Além dos dois filhos, ela também já perdeu os dois irmãos que moram em Salvador: Manoel Pereira de Souza, comerciante e o padre Pereirinha. Os pais morreram em Portugal quando ela tinha cinco anos. Mocinha, chegou a estudar no Colégio de Feiras em Salvador, antes de ir morar em Jeremoabo”.
De seus irmãos: “José Antônio Pereira Mattos e Maria de Fátima Pereira Mattos moram aqui em Aracaju, no bairro Jardins, com minha mãe. Minha irmã é formada em pedagogia pela Faculdade Católica de Salvador. Largou o emprego para cuidar de minha mãe. É separada e tem dois filhos: Maria Manuela, formada em Direito, e Edson Bruno, estudante de Agronomia. A felicidade da família aumentou em 2011, com a chegada de Davi, neto da minha irmã e bisneto de minha mãe. Já meu irmão terminou o ensino médio, e hoje trabalha na Fundação Aperipê. Esse nunca se casou. Quando minha mãe se casou, meu pai tinha uma filha de outro relacionamento: Lúcia. Era nossa irmã também. Minha mãe a tinha como filha. A gente também gostava muito dela. Infelizmente não está mais no nosso meio. Ela deixou dois filhos: Alexandro e Rodrigo, que moram em Salvador”.
Dos inesquecíveis momentos de guri: “Jogar futebol sempre foi a minha maior diversão. Desde pequeno, eu desejava ser um jogador profissional. Até que tinha jeito para a coisa, mas acho que não tive muitas oportunidades. Os estudos também me impediam um pouco e também porque eu usava óculos de grau. Em Paulo Afonso jogava muito no colégio e nos campos da cidade. Era um “fominha” de bola. Chutava muito forte, por isso fazia muitos gols. Quando estava morando em Salvador, na época estava com 17 anos, cheguei a fazer um teste no Vitória, mas acho que não agradei muito. No dia do teste, acho que devia ter uns duzentos garotos, e tive poucos minutos para mostrar as habilidades dentro de campo. Além do mais, a Toca da Raposa era distante do bairro Pituba. Tive uma infância feliz em Paulo Afonso. Graças a Deus eu não sei o que é enfrentar dificuldade. Quando tinha 13 anos minha mãe me deu dois maravilhosos presentes: uma moto e uma viagem ao Rio de Janeiro para assistir a um jogo entre o Fluminense, meu clube de coração, e o Corinthians. Fiquei muito feliz com a moto, já que o transporte facilitava a ida para o colégio, para jogar bola e paquerar as garotas da cidade. E conhecer o Maracanã foi a realização de um antigo sonho. Sem falar que fui ao Rio de janeiro de avião com um amigo da família. Foi a minha primeira viagem aérea; ficamos hospedados em um excelente hotel em Copacabana. Bastava o Fluminense jogar em Aracaju, Maceió, Recife ou Salvador, eu saía de Paulo Afonso para prestigiar meu clube. Era do tipo de torcedor que ia ao hotel onde a delegação estava hospedada, tirava fotos e pedia autógrafos dos jogadores. Quando fui morar em Salvador não perdia um jogo do Bahia, na Fonte Nova, já que morei mais de dois anos no bairro Nazaré, bem pertinho do estádio de futebol”.
Diz que apesar do rio o São Francisco fazer parte do cenário lindo de Paulo Afonso, nunca gostou de tomar banho de rio. “A gente era sócio do Clube CPA. Adorava tomar banho de piscina. Praia, só quando viajava nas férias para a casa de tia Dina Ruas, que ficava na praia de Amaralina, em Salvador”.
“Até a 8ª série, sempre estudei nos colégios da Chesf, que por sinal tinha excelentes professores. Só podiam estudar lá filhos de trabalhadores da Companhia, mas eu e meu irmão estudávamos porque o marido de uma prima, Vera, colocou a gente como dependente. Esse anjo da guarda chamava-se Helvécio, que hoje não se encontra mais neste plano espiritual. Já meus outros irmãos estudavam num colégio particular, o 7 de Setembro. Estudei nos colégios Adozindo e Colepa e na Escola Rural. No primeiro, para ir ao colégio minha mãe pagava a um taxista para levar e buscar no final da aula. Já nos dois últimos, me deslocava de moto. Um fato interessante de que me lembro na época de criança, devia ter uns sete ou oito anos, foi quando um colega de classe chamou de feia uma garota que eu achava linda e pela qual eu tinha algum interesse. Fui tirar satisfação e trocamos alguns empurrões no intervalo, mas nada de grave. Tanto é verdade que minha mãe não ficou sabendo do ocorrido. O ruim de tudo é que o colega ficou com raiva de mim, e a garota não se interessou mais por mim. Acho que foi a primeira e última vez que aconteceu isso comigo, pois sou um homem altamente da paz. As festas juninas eram animadas nos colégios da Chesf. Apesar de não saber dançar (até hoje não sei), todos os anos eu participava da quadrilha junina. Sempre escolhia a garota mais linda da sala. Adorava os ensaios, que sempre aconteciam no sábado à tarde”.
Já o ensino médio, antigo segundo grau, terminou em Salvador. “Inicialmente no Colégio Salesiano. Passei pouco tempo lá. Não me adaptei às normas do colégio, além de achar o ensino muito puxado. Tinha um ambiente rígido, religioso e não me sentia bem naquele lugar. Depois fui estudar no Colégio Nossa Senhora de Lourdes, que ficava localizado em Nazaré, pertinho de onde a gente morava. Lá era mais tranquilo e passei bons momentos com os colegas. Quando passamos a morar no bairro Pituba, fui estudar no Colégio Lomanto Júnior, que ficava em Brotas. Nessa época eu já dirigia e muitas vezes ia para o colégio com o carro do meu ex-cunhado Edson. Nessa época também ele tinha um bar na Pituba: Cabana do Pedro. Ele ficava no bar com o meu irmão Nuna e nos finais de semana eu ia ajudá-los, já que o movimento era intenso. Foi lá que passei a aprender os primeiros ensinamentos na cozinha. Hoje eu sei fazer alguns pratos, mas dizem que o meu forte são as moquecas ou a mariscada baiana que faço, apesar de não gostar. Gosto mesmo de massas. Adoro pizza de três queijos, lasanha e macarronada com carne moída. Sou meio chato para comer: gosto só de carne de boi e peito de galinha. E sou mais louco ainda por feijoada, mas só como o feijão sem as carnes (rsrs). E para beber, uma cerveja bem gelada, mas sou controlado na bebida. Gosto de suco de laranja e maracujá. Não gosto de frutas”.
Houve uma época em Paulo Afonso emque Avelar ficou morando só com a mãe, já que seus irmãos foram estudar em Salvador. “Quando não estava no Colégio ou jogando bola, ficava na farmácia ajudando um pouco, mas não gostava muito. Nunca tive o dom para o comércio. Achava-me preso naquele ambiente. Isso eu não herdei de meu pai, já que ele se sentia o homem mais feliz do mundo quando estava atendendo os fregueses na farmácia. Minha família sempre teve uma boa condição financeira, por isso, não precisei trabalhar. Apesar de ter nascido e vivido muito tempo em Paulo Afonso, não guardo boas memórias de lá; tudo por causa do sofrimento que acompanhei de perto com a morte de meu pai; depois com a doença de meu irmão Wanderley, que passou mais de um ano sofrendo no hospital. Na época, minha mãe teve que vender uma fazenda para tentar a cura dele em São Paulo e Salvador. Foi um período difícil. Enquanto isso, as farmácias e as fazendas eram administradas pelos funcionários, já que os outros filhos eram menores. E o resultado disso não foi dos melhores.
Uma das fazendas mais tarde minha mãe trocou por uma excelente casa na Pituba. Foi quando passamos a morar em Salvador. Saí de Paulo Afonso assim que completei 16 anos”.
Como surgiu o jornalismo em sua vida. “Assim que terminei o segundo grau em Salvador, minha irmã Joselinda, que morava em Aracaju, me informou que a então Faculdade Tiradentes iria realizar vestibular para o curso de jornalismo. Ela sabia que eu queria ser jornalista. Fiquei muito alegre e me desloquei para Aracaju a fim de efetuar a inscrição. Dias depois, fiz o vestibular e consegui aprovação na primeira turma de Comunicação Social (Jornalismo e Relações Públicas) de Sergipe. Sempre gostei de escrever, mas tinha muita dificuldade com a matemática, com cálculos e números”.
Chegou em Aracaju no início de janeiro de 1982 e fez questão de morar num pensionato, apesar de receber convite de morar na casa de sua irmã. “Dona Carminha me tratava como um filho no pensionato, que ficava localizado na Rua Capela. Até isso Deus foi bom comigo, pois eu nunca havia saído de casa. Aquilo era tudo novo para mim. Ainda fiquei morando no pensionato quase três anos. Depois fui morar em um apartamento alugado que ficava próximo à Faculdade Tiradentes, no centro da cidade. Morava com os colegas Rui Barbosa e Vilson Souza. Depois fui morar com Rui no Sol Nascente na casa de minha irmã Fátima. Fiquei morando lá até o meu casamento, que ocorreu em setembro de 1987. O meu tio, padre Pereira, era também jornalista, mas não recebi dele nenhuma influência para seguir essa profissão. Ele, inclusive, escreveu por muitos anos no Jornal A Tarde, de Salvador. Assinava uma coluna religiosa”.
Ano do vestibular, seu tempo de universitário e que significa ser jornalista ontem e hoje: “ O vestibular aconteceu em dezembro de 1981. Naquela época, a Tiradentes ofereceu 60 vagas: 30 para Jornalismo e 30 para Relações Públicas. No primeiro período, as duas turmas eram juntas. Só a partir do segundo período é que aconteceu a separação dos cursos. As aulas eram realizadas no período da tarde. A Faculdade trouxe alguns professores de fora. Dois deles marcaram profundamente, não só pela amizade que fizemos, mas, principalmente, pelo senso profissional: Eva Maria Medeiros e Rosa Nívea Pedroso. Guardo bons momentos do período universitário, dos colegas Rui Barbosa, Nubem Bomfim, Emanuel Dantas, Marta Suzana, Rosemary Aragão, Eduardo Leite, Gileno Santos, Josenilza, Alba e Gilsa Brito. Naquela época a grande maioria dos jornalistas de Sergipe eram provisionados. Poucos tinham curso superior. Confesso que no início nós éramos um tanto rejeitados pelos colegas que já atuavam na imprensa, mas faço questão de tirar dessa lista o nome do saudoso Célio Nunes. Na época ele era o presidente do Sindicato dos Jornalistas, mas sempre nos tratou com carinho e respeito. Quando havia congressos fora do estado, o Célio fazia questão de conseguir passagens aéreas nos órgãos públicos. Em muitos casos, ele nos orientava e dava conselhos. A gente não perdia um congresso. Quase sempre viajávamos eu, Nubem, Rui, Eduardo, Gilsa, Mary e Josenilza. Fazíamos pedágios nas ruas de Aracaju para angariar recursos financeiros para pagar a hospedagem. A gente ia de avião, ficava num bom hotel e ainda sobrava dinheiro para comprar presentes. O curso de jornalismo na Tiradentes estava iniciando. Tínhamos problemas com professores e equipamentos. Na época, a gente dizia que o professor Uchoa só se preocupava com os outros cursos, principalmente com o de Direito, e deixava o de jornalismo para outro plano. Só sei que tudo era difícil para nossa turma. Depois que me formei, recebi convite para lecionar na Faculdade. Ainda passei um ano e meio. Pedi demissão, pois tive a certeza de que o magistério não estava no meu sangue. Ensinar é uma arte e requer amor à profissão e dedicação exclusiva. Mas gostei muito dessa experiência. Adorava quando os alunos me chamavam de professor Avelar. Eu sou da primeira turma de jornalismo de Sergipe. A colação de grau aconteceu em março de 1985”.
“ Pouco mais de um mês que tinha me formado, recebi um convite para trabalhar na TV Aperipê de Sergipe, canal de televisão que estava sendo implantado pelo Governo do Estado. O então superintendente dessa emissora educativa, jornalista Raimundo Luiz, solicitou que a professora Eva indicasse dois jornalistas que tinham acabado de se formar. Eu e Rui fomos os escolhidos. Fomos falar com Raimundo Luiz. Foram poucos minutos de conversa. Ele se dirigiu a Rui e disse que ele seria o pauteiro. Olhou para mim e revelou que eu seria o editor do telejornal, que iria ao ar dois dias depois. Esse foi o meu maior teste profissional. Tinha acabado de me formar e seria o editor responsável para colocar no ar um noticiário de 30 minutos. Ao receber a notícia de Raimundo Luiz fiquei alegre e preocupado ao mesmo tempo. Mas eu sabia que estava preparado para esse desafio. O Rui também estava preparado. E fomos nós para o primeiro dia de trabalho. Fomos apresentados à então diretora de jornalismo Fátima Bôtto, que sempre nos tratou muito bem. Vou contar como foi o primeiro dia do telejornal da Aperipê. O noticiário iria começar às 19 horas. Antes do meio-dia eu já estava na televisão trabalhando. Não era fácil editar um jornal de 30 minutos sozinho. Sei que terminei o meu trabalho por volta das 18h30. Faltava pouco tempo para o noticiário entrar no ar. Fui tirar a cópia das laudas, que seriam entregues aos dois apresentadores Carlos Macedo e Roberto Medeiros e ao pessoal da técnica. Acontece que quando cheguei à sala da reprografia, o funcionário já tinha ido embora, uma vez que o expediente encerrava às 18 horas. Quase tive um ataque cardíaco. Foi aquela gritaria e correria. O jornal foi para o ar com uma cópia apenas. Cada apresentador ficou com o texto que iria chamar as matérias. Foi um sufoco, mas por incrível que pareça, nenhum erro grave aconteceu. No outro dia, uma máquina fotocopiadora nova foi providenciada para a nossa sala de jornalismo e não tivemos mais problemas. A TV Aperipê, para mim, foi a minha verdadeira faculdade. Lá aprendi muitas coisas e fiz bons amigos. Foi uma honra muito grande trabalhar com Cleomar Brandi, Luzinete Silva, Emanuel, Fátima Bôto, Beneti Nascimento, Jorge Carlos Gomes, Norma, Ruthe Rodrigues, Rui, Carlos Macedo, Roberto Medeiros, Américo, Bero, Manoel, Inailson, Jorge Freitas, Carlos Bomfim, Marcos Jeferson e vários outros companheiros”.
Ainda na TV Aperipê teve felicidade de ser diretor da televisão, atendendo ao convite da superintendente da Fundação Aperipê, professora e radialista Marlene Calumby. “Foi outra experiência marcante em minha vida profissional. Quando assumir a direção da TV, tínhamos apenas três programas, e apenas um deles era ao vivo. Em pouco tempo, a gente estava com mais de 10 programas, inclusive o de esportes, apresentado por Antônio Barbosa, Haroldo Lessa e José Eugênio de Jesus. Tinha também as participações de Ribeiro Neto, Raimundo Macedo e Cristiano Prado”.
“Fiquei editando sozinho o noticiário quase um ano. Foi quando Raimundo Luiz recebeu o convite para ser secretário de Comunicação do primeiro Governo João Alves e me levou para a Secom. Na época o diretor de redação era o jornalista Valdomiro Júnior. Ainda na Secom tive o prazer de trabalhar com os secretários Juarez Conrado, Theotonio Neto, Luiz Eduardo Costa e Carlos Alberto Souza”.
Da sua passagem na TV Jornal: “ Passei ainda um bom período trabalhando na TV Jornal. Na época era afiliada da Rede Manchete. Eu editava o telejornal com o companheiro Rui Barbosa. Tive a honra de trabalhar com Reinaldo Moura, que na época apresentava o noticiário. Depois com César Cabral, Davi Leite, Bareta, Eugênio Nascimento, Eufrásio, Laura, Anselmo Tavares e Eduardo Abril. A TV Jornal tinha uma audiência impressionante com o programa Rede Cidade. O companheiro Bareta era a atração do programa com suas matérias polêmicas nas delegacias de Aracaju”.
Do seu trabalho no JORNAL DA CIDADE: Recebi convite da jornalista Shirley Rocha para fazer a primeira página do Jornal da Cidade. Na época, ela era diretora de redação do JC. Fiquei na função durante seis meses até a chegada de José Araújo. Depois, ele me colocou para ser repórter. Na hora não gostei muito da ideia, mas depois tive a certeza de que profissionalmente foi muito melhor. Passei a ser mais conhecido, já que sempre fui editor de TV e ficava “preso” na redação. Tive também condições de melhorar meu texto. Gostei tanto da nova função que em menos de um ano já tinha conquistado prêmio de melhor reportagem. Passei como repórter do JC mais de cinco anos e ganhei vários prêmios. Nessa casa eu tive o prazer de trabalhar com excelentes profissionais. Não vou citar nomes para não correr o risco de esquecer alguém. A TV Aperipê e o JORNAL DA CIDADE foram as minhas grandes universidades.
De sua passagem no Ministério Público de Sergipe. “Convidado pelo procurador de Justiça Dr. Luiz Valter Ribeiro, fui trabalhar no Ministério Público de Sergipe. Na época, o procurador geral de Justiça era o Dr. José Andrade. Inicialmente fiquei trabalhando na biblioteca do MP com Nika Costa e Norma. Quando o Dr. Moacyr Soares da Motta assumiu o cargo de procurador geral de Justiça me fez o convite para trabalhar na ascom desse órgão. Depois de algum tempo fui elevado ao cargo de coordenador de comunicação do MP. Passei no MP mais de 11 anos. Era prazeroso trabalhar com os procuradores e promotores de Justiça. Sinto saudades daquele ambiente, principalmente dos colegas de trabalho. Depois que Dr. Moacyr deixou o cargo de procurador geral, entrou Dr. Luiz Valter Ribeiro. Fiquei no cargo de coordenador de Comunicação nos quatro anos da administração dele. Com a chegada de Dra. Cristina Mendonça, fui devolvido para o meu órgão de origem no Estado, sob a alegação de redução de despesas. Muitos servidores que estavam cedidos ao MP também foram devolvidos a seus respectivos órgãos”.
Foi diretor de comunicação da Prefeitura de Aracaju. “A jornalista Eva Maria era a secretária de Comunicação do município de Aracaju. Ela me fez o convite para ser diretor de comunicação. Disse que aceitaria se levasse dois companheiros jornalistas: Giovanni Alievi e Nubem Bomfim. Ela acatou o meu pedido e fui trabalhar na PMA. Trabalhar com o Dr. Viana de Assis foi uma honra pra mim. Acho que foi o período em que mais trabalhei na minha vida. Foram apenas quatro meses, mas sem horário para nada. O Dr. Vianna tinha uma energia impressionante. Ele trabalhava até tarde da noite na prefeitura, e antes de ir para casa, ela dava voltas na cidade para saber como estava o andamentos das obras. E sempre a gente da Ascom estava acompanhando o prefeito. Gostava do Dr. Viana porque era um homem de palavra. Para ele era sim ou não. E dava a resposta na hora”
Da sua participação na Assessoria de Comunicação da Secretaria de Estado da Educação. “ Logo que eu saí do MP, a jornalista Ofélia Freire Onias, assessora de Comunicação da Secretaria de Estado da Educação, me fez o convite para trabalhar na Ascom da Seed. Na época, a partir do início de 2007, o secretário era o professor José Fernandes de Lima. Hoje ainda trabalho na Seed, cujo secretário é Belivaldo Chagas.
Do despertar para a literatura. “Sempre gostei de escrever e de ler. Quando trabalhava no JORNAL DA CIDADE ficava pensando: por que não escrevo um livro sobre a prostituição, tema com o qual redigi muitas matérias para o JC. Só que no jornal, o repórter não tem muito espaço para escrever; no máximo consegue uma página para as matérias especiais. Já com o livro seria diferente; teria bem mais espaço para colocar as minhas ideias e desenvolver melhor o texto.
Como surgiu seu lado espiritual? O que ele significa em sua vida hoje. “Passei a ficar interessado pelo espiritismo logo após a minha separação. No início, sofri muito com o desligamento dos filhos. Na época minha filha Mariana Mattos estava com seis anos e meio, e o meu filho, Avelar Segundo, tinha apenas cinco anos. Por intermédio de Nubem Bomfim, fui conhecer um centro espírita que ficava localizado no conjunto JK, perto do conjunto Sol Nascente. Pelo menos uma vez na semana ia ao local ouvir as palestras e tomar passes energéticos. Aos poucos fui conhecendo a doutrina espírita e entendendo certas coisas que estavam acontecendo com a minha vida. Nada na vida é por acaso; tudo tem um motivo, uma explicação. Ainda hoje eu tenho uma ligação muito forte com o espiritismo. Tenho uma intuição muito grande, que às vezes me assusta, mas estou sabendo trabalhar esse dom que Deus me deu. Sempre estou lendo algum livro espírita e estudando cada vez a doutrina. Eu fui criado num ambiente altamente católico, mas nunca minha mãe interferiu em minhas decisões; mesmo porque o Deus é único. Respeito todas as religiões”.
Da sua família: “Fui casado durante oito anos com Tânia Ribeiro. Dessa união nasceram dois filhos: Mariana Ribeiro Pereira Mattos e José Avelar Pereira Mattos. Minha filha hoje está com 24 anos de idade. Já é formada em Enfermagem e trabalha na área. Já meu filho de 23 anos forma-se em Direito no final deste ano (2012). Fiquei feliz agora porque ele acabou de ser aprovado no exame da OAB. É muito inteligente. Aliás, os dois são e nunca me deram trabalho. Moro em Aracaju há 33 anos. Já sou sergipano de coração, e não preciso ganhar nenhum título de cidadania. – Não gosto muito de fazer planos para o futuro. Gosto de viver o presente. A cada dia eu fico mais feliz. Vivo intensamente a vida, mas com responsabilidade. A vida é o maior presente que ganhamos de Deus”.
De seus sonhos. “Ainda bem que os meus sonhos são simples, por isso já conquistei quase todos eles: ter filhos saudáveis, comprar meu apartamento, adquirir um carro novo, lançar um livro, entrevistar Roberto Carlos, ver um jogo do Fluminense no Maracanã e ter uma família linda, unida e feliz.
Termina seu depoimento para a Memória de Sergipe, informando que ao lançamento do seu livro “O Coragem de Viver será lançado no próximo dia 19 de setembro, às 18 horas, na Livraria Escariz do Shopping Jardins. “O livro ficará à venda na Escariz dos shoppings Jardins e Riomar, na UNIT e na UFS”, registra Avelar.