21/05/2019 as 07:51

Avaliação

Jackson diz que Bolsonaro é completamente despreparado

Ex-governador lembra que conviveu com o atual presidente, na Câmara Federal.


Jackson diz que Bolsonaro é completamente despreparadoFoto: André Moreira/Arquivo JC

O ex-governador Jackson Barreto (MDB) já deixou claro que não se afastará da política, apesar de já ter declarado o contrário. Em entrevista ao radialista Narcizo Machado, durante o Jornal da Fan, na manhã desta segunda-feira, 20, Jackson falou sobre os desafios da sua gestão, avaliou o governo Bolsonaro, revelou bastidores do processo eleitoral que resultou na vitória do seu aliado, Belivaldo Chagas (PSD), e ainda apontou direcionamentos para as eleições de 2020.


Sobre educação, Jackson foi questionado sobre os cortes de recursos para área, anunciados pelo Governo Federal, e não poupou críticas ao ex-colega de parlamento. “Fui deputado federal e contemporâneo de Bolsonaro. Eu o conheço. Completamente despreparado, incapaz de defender um argumento, uma tese de um projeto. Incapaz de fazer discursos sobre temas importantes para o país. Esteve sempre em defesa dos militares e da ditadura. Ele desconhece o papel da educação para o crescimento de um país”, lamentou.


Com as críticas a Bolsonaro e ao atual cenário político do Brasil, Jackson justificou sua permanência no meio político. “Vivemos um momento tão complicado que é hora dos políticos aposentados, que defendem a liberdade e a democracia, voltarem. Meu sonho é que o Brasil volte a ser governado pela classe trabalhadora” destacou.

Desafios
Entre os principais desafios da sua gestão enquanto governador, Jackson Barreto apontou os embates com o Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado de Sergipe (Sintese). “É muito difícil atender aos pleitos dos professores. Têm questões que são corretas, mas têm outras que o Estado não tem condições de atender. Os embates aconteceram com Déda, comigo, continua com Belivaldo e vão continuar com os próximos gestores, a menos que mudem as figuras, já que devem se aposentar. O Sintese fez o enterro simbólico de Déda, quando ele ainda estava vivo. Eu pelo menos não fui enterrado”, brincou.

Candidato?
Apesar da declaração, JB não garantiu seu retorno a um cargo público, mesmo com especulações sobre uma possível candidatura a deputado federal. “Não posso garantir nada no momento, apenas que continuarei na política”, pontuou.


Sobre o desgaste do seu nome ao deixar o governo, além dos problemas com professores, salários atrasados e o episódio da “inauguração” do setor de nefrologia, Jackson falou sobre a estratégia de marketing político defendida para que Belivaldo ganhasse as eleições.


O governador de Sergipe, Belivaldo Chagas, quando candidato, fez questão de desassociar imagem da de Jackson, mesmo sendo seu vice em quatro anos de gestão. “Eu sabia que essa estratégia destruiria minha imagem, mas aceitei porque a minha candidatura não era prioridade. O que estava posto era um projeto político e que felizmente saiu vitorioso, graças ao povo, que entendeu o que era melhor para Sergipe”, revelou.


Para Jackson, a gestão de Belivaldo está indo bem, se comprada a outras pelo Nordeste, por exemplo. “Quando a economia do Estado chega neste patamar no qual estamos, fica tudo muito difícil. Mas apesar dos problemas, a gestão está no caminho certo”, afirmou.