17/06/2019 as 08:18

ENTREVISTA/LUCIANO PIMENTEL

“No momento em que for legalmente possível a mudança de partido, irei registrar a minha opção por uma nova legenda”

O deputado estadual Luciano Pimentel (PSB) afirmou que vem atuando sem estar na situação e nem na oposição, mas de forma “independente” na Assembleia Legislativa de Sergipe. O parlamentar confirmou ainda que houve um desentendimento com o partido durante a última eleição e que aguarda o momento certo para fazer a mudança de sigla. Na entrevista, aproveitou para reforçar as bandeiras que vem levantando no mandato, assim como os projetos que estão sendo desenvolvidos, acompanhe:


“No momento em que for legalmente possível a mudança de partido, irei registrar a minha opção por uma nova legenda”Foto: Divulgação

JORNAL DA CIDADE - Como o senhor avalia a gestão do governador Belivaldo Chagas?
LUCIANO PIMENTEL - O governador Belivaldo Chagas iniciou o seu mandato com uma proposta firme de redução dos custos, necessária diante do cenário econômico-financeiro de Sergipe, que precisa viabilizar recursos para investimentos básicos em educação, saúde e segurança pública. Nesses primeiros meses podemos notar ainda uma busca por investimentos privados, trabalhada com o propósito de promover o crescimento da economia sergipana e reduzir os altos índices de desemprego. Sem dúvidas, esse esforço de redução de custos não é suficiente para que o Estado volte a ter capacidade de investimento, entretanto, direciona recursos para melhorar o atendimento em áreas mais carentes, amplificando as condições de acesso aos serviços públicos pela população de menor renda.

JC - O senhor acredita que a situação financeira do Estado tem solução? Por quê?
LP - Costumo ter um olhar sempre positivo sobre o futuro, porque é essa esperança que nos impulsiona a encontrar soluções e superar adversidades. E, neste caso, não poderia ser diferente. Como disse anteriormente, o Governo de Sergipe tem enxugado a máquina pública, buscado parcerias público-privadas que possam atrair investimentos para o Estado e vem negociando com instituições financeiras operações de crédito que viabilizem a recuperação da infraestrutura viária, o que facilita tanto a mobilidade quanto o escoamento da produção, possibilitando o desenvolvimento regional. Essas são iniciativas extremamente válidas, mas entendo que também deve haver uma ampliação de esforços para incluir Sergipe no Plano de Promoção do Equilíbrio Fiscal, denominado Plano Mansueto, que poderá oferecer um suporte financeiro na ordem de R$ 1 bilhão em quatro anos, contribuindo para a restauração do quadro econômico do Estado.

JC - Como o senhor avalia a relação com o presidente Jair Bolsonaro?
LP - Acho extremamente importante e saudável que o governador Belivaldo Chagas tenha uma relação harmoniosa com o presidente Jair Bolsonaro. Hoje, no Brasil, há uma concentração muito significativa dos recursos no Tesouro Nacional, de forma que os estados e os municípios são dependentes de investimentos e/ou transferências da União. Essa dependência torna essencial a construção de uma relação positiva com o Governo Federal, que poderá se converter na conquista de apoios relevantes para projetos que objetivam o desenvolvimento de Sergipe, favorecendo crescimento e melhoria das condições de vida do povo sergipano.

JC - E a questão da reforma da Previdência, o Estado deve seguir o âmbito federal ou criar o próprio projeto? Por quê?
LP - É necessário que tenhamos uma regra única para a Previdência. Não é razoável que o Congresso Nacional aprove medidas para o regime geral dissociado da Previdência de estados e municípios. Criar projetos separados pode gerar uma dificuldade de uniformidade no território nacional, ocasionando transtornos no processo de implementação das novas regras, além de impor obstáculos à redução do déficit previdenciário dos governos estaduais e municipais.

JC - Há um atrito no PSB provocado no período da eleição?
LP - Reconheço que tivemos desentendimentos durante o período eleitoral que me levaram a renunciar a vice-presidência estadual do partido.

JC - Há possibilidade de mudar de partido?
LP - Sigo rigorosamente a legislação eleitoral. No momento em que for legalmente possível a mudança de partido irei registrar a minha opção por uma nova legenda.

JC - Sobre a sua atuação na Assembleia, o senhor está mais próximo da bancada da oposição ou situação? Por quê?
LP - Eu tenho me reservado ao direito de assumir uma postura independente na Assembleia, respeitando minhas convicções e votando nas propostas que considero importantes para os sergipanos. É isso que a sociedade espera de mim e dessa forma estou conduzindo minha atuação legislativa.

JC - Neste mandato, quais são as suas principais bandeiras levantadas na Assembleia? Há projetos?
LP - Iniciamos esse mandato com quatro eixos de trabalho. A primeira bandeira é a luta pela efetivação dos direitos das pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), popularmente conhecido como autismo. Neste campo, apresentamos um projeto de lei e propomos a criação da Frente Parlamentar de Apoio e Proteção aos Direitos da Pessoa com TEA. Como fruto dessa articulação, que visa proporcionar uma vida melhor para os autistas em Sergipe, já está em vigor a Lei 8.522/2019, sancionada pelo governador Belivaldo Chagas no dia 29 de abril, que determina o atendimento preferencial para pessoas diagnosticadas com autismo. A lei é válida tanto para os estabelecimentos públicos quanto privados. Uma segunda bandeira que defendo é a necessidade de fomentar o turismo no nosso Estado, por se tratar de uma atividade capaz de alavancar a economia e para qual já temos toda uma estrutura instalada. Estrutura essa que conta com bons hotéis, bares e restaurantes, ambientes que abrigam inúmeras oportunidades para geração de empregos em Sergipe. Temos um potencial enorme a ser explorado e precisamos abrir os olhos para essa questão. Como terceira bandeira, estamos discutindo a construção de um projeto de lei que possibilite a realização do Gerenciamento Costeiro. Um ponto fundamental para que possamos definir um crescimento sustentável de nosso Estado, respeitando o meio ambiente e os espaços urbanísticos consolidados no litoral sergipano. Uma quarta bandeira é o estudo de propostas que contemplem um maior desenvolvimento socioeconômico do Estado e possam ampliar a atratividade de investimento privado em Sergipe.











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