10/01/2019 as 10:28

Fixados por lei

Limites de gorduras em alimentos

O médico endocrinologista Raimundo Sotero explicou que é preciso desmistificar alguns pontos sobre o consumo de açúcar e diabetes.


Limites de gorduras em alimentos

Tramita no Senado um projeto que fixa limites máximos de gorduras, açúcares e sódio contidos nesses produtos. Pelo texto (PLS 532/2018), achocolatados, biscoitos recheados, misturas para bolo, produtos lácteos e bebidas açucaradas, por exemplo, sofreriam mudanças durante o processo de produção para reduzir a grande quantidade de açúcares que armazenam.


A proposta estabelece a quantidade máxima permitida dessas substâncias nos alimentos industrializados e visa melhorar a qualidade da alimentação dos brasileiros e diminuir os índices de obesidade, diabetes, hipertensão e outras doenças causadas pela má alimentação. O Brasil consome 50% a mais de açúcar do que o recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e quase o dobro da quantidade recomendada de sal, o que colabora para o aumento de doenças.

O médico endocrinologista Raimundo Sotero explicou que é preciso desmistificar alguns pontos sobre o consumo de açúcar e diabetes. Segundo ele, não é o fato de comer especificamente açúcar que causa diabetes, mas sim o fato de comer em excesso qualquer alimento que acabe fazendo com que o peso aumente. “O diabetes é herdado e dificilmente adquirido. O diabetes não é causado pelo excesso de açúcar, mas pelo excesso de gordura, e quanto mais gordura mais infarto, mais hipertensão, mais aneurisma”, explica.

Segundo a OMS, o Brasil possui 16 milhões de diabéticos e é o 4º país do mundo em portadores da doença. “A cada dois segundos se descobre uma pessoa diabética. Os índices são alarmantes e ocorrem em decorrência dos maus hábitos alimentares, obesidade, sedentarismo. E o açúcar é mais ruim para o colesterol que para o diabetes. O diabético não pode comer açúcar, mas ele está diabético não porque comeu açúcar demais, isso é folclore”, reforça.

Portanto, para o médico a aprovação da legislação é importante e necessária, mas é preciso muito mais a consciência da população para a prevenção das doenças crônica. “Se uma pessoa fizer de 30 a 40 minutos de exercício por dia já possível evitar o diabetes. E mais: é necessário ter uma alimentação saudável, não fumar e não abusar do álcool, tem que ter moderação”.

Sotero cobra ainda a atuação do Ministério da Saúde para a prevenção, profilaxia e promoção dos bons hábitos alimentares, práticas de atividade física e o diagnóstico rápido. Segundo ele, a indústria alimentícia subverte o paladar da criança, dando brinquedos em troca pelo consumo de alimentos nada saudáveis. “É preciso ordem social para combater a desonestidade alimentar, que é imoral e irresponsável. Temos que focar nas escolas, na substituição de alimentos in natura por industrializados. O Ministério da Saúde também precisa focar em prevenção”.


A dica que Raimundo Sotero dá aos leitores é: comece a praticar exercício já e tenha uma alimentação adequada. “Não deixe de praticar todos os dias pelo menos de 30 a 40 minutos, faça caminhada ou outro tipo de atividade. Vá, faça algum exercício para ‘gastar’ calorias”, concluiu o endocrinologista.