23/05/2026 as 08:50

OPINIÃO

Construir desconstruindo identidades de um mundo que está em guerra, paz positiva x paz negativa



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Raimundo Luiz*

Em si, nada de inovação, apenas e tão-somente, a repetição da História com novos atores em falas de um texto concebido a milênios antes de nós, por nós naquela realidade tão antiga e sempre nova, parafraseando Agostinho Hiponensis.

Dentro do processo evolutivo pelo qual passa o Homem enquanto Humanidade, observa-se, de forma constante, uma luta dele contra si, dele contra os seus pares, dele contra o mundo – aqui entendido planeta – que o acolhe com generosidade ímpar, todavia, Gaia recebe o feedback: para não dizer que não falei das flores, a Rosa de Hiroshima. Para cooperar com as grandes empresas de aparelho de ar condicionado, lembro o acúmulo de gases na atmosfera que faz crescer o buraco que não é negro na camada de ozônio e, por consequência, o derretimento da calota polar, o aumento dos níveis dos oceanos, o processo de salinização das águas doces – abre-se espaço para não esquecer Brumadinho – que não estão nas Brumas de Avalon mas, sim, em às áreas desérticas de África, Brasil; e, não obstante, alguns países do dito Novíssimo Continente, pois que, na Austrália tem áreas desérticas.

Em seu processo de evolução buscam-se fatores que promovam vida em detrimento da morte de Gaia.

De Gaia se tira, se usa e se abusa de uma forma brutal. Ressequida, como a cachorra Baleia, a Terra clama por Justiça e responde ao Homem, nascido das suas entranhas com fenômenos que não podem ser caracterizados como àquelas Teofanias daquela cultura vétero-testamentária do Povo do Livro.

Responde como um corpo que agoniza, apresentando ao Homem, seu filho, suas entranhas maculadas pela desenfreada busca do ouro negro, das pedras que não são carbono-12, pelo despejo insano de produtos como o plástico em seus mares e rios.

O Homem vê-se em uma posição ameaçadora. E, em sua insana pretensão de salvar Gaia busca renovação de pensar e agir. Pensa como Maquiavel e age como a Rainha Louca, não tendo pães deem bolo ao Povo. E, não tão longe, servem bolo com fanta.

Alcança-se a derrogação da dignidade da pessoa humana e aflora a subumanidade quando seus pares são desterrados de suas realidades antropológicas, geográficas para outras realidades onde são desnudados de sua fala, de sua razão de ser, de existir e forçados a assimilar identidades de factóides/humanóides, no populacho, Maria-vai-com-as-outras.

Desconstroem o Homem negando-lhe a fala. Desconstroem o Homem negando-lhe sua cultura de origem. Descontroem o Homem usurpando-lhe a Terra e o fazendo experienciar diáspora. Descontroem o Homem quando aprisionado em suas lembranças fazem-no atravessar a Porta-do-nunca-mais, seja ela em África, Oriente Médio, Ásia ou Oceania para ajuntá-los em centros de acolhimento que nada mais são que os famigerados campos de concentração, rememorados com tristeza em nossa realidade hodierna e, mais ainda, àquelas e àqueles que conosco, em nossos antepassados, do Povo do Livro, do Povo das Estradas, dos que amavam inversamente foram condenados àquela concentrada reunião de mentes que pensavam além do seu tempo, buscavam além do seu tempo, mesmo vivendo naquele seu tempo presente.

Hoje a História se repete.


*Raimundo Luiz é professor, escritor, acadêmico de Direito em trânsito ,membro ABRACRIM e do IHGSE