17/07/2023 as 10:15
PRAGAAs construções mais antigas são as que mais correm riscos, porque a madeira mais velha, macia para eles, facilita o consumo.
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Cupins são uma praga urbana mais comum do que se imagina. Tornou-se uma ameaça invisível em casas e apartamentos em Aracaju. Ao alugar um imóvel analise a situação da estrutura de madeira para perceber se há cupins. Se encontrar, evite a locação, não alugue. Nem pense se é lado da sombra, se a localização é boa, se o espaço é agradável. Caso o imóvel seja seu, não adianta tapear. Encare o problema. Procure a ajuda de especialistas e tenha cuidado com empresas e profissionais sem credibilidade.
Cupins não são formigas ou baratas, são pragas invisíveis, inimigos implacáveis do lar, que não só acabam com seus móveis e roupas, como podem causar, a depender do tempo de estabelecida a colônia, incêndio na sua casa.
Ao criar caminhos, roendo e comendo o que você não vê nem sabe, atuando de dentro pra fora, podem facilmente entrar pelos dutos de energia e seus dejetos são tão cáusticos que corroem a fiação. Eles não digerem a fiação elétrica. Agem apenas abrindo galerias. Mas seus dejetos provocam, a princípio, curtos-circuitos e, posteriormente, protagonizam um grande incêndio que colocará a sua vida e de sua família em risco, bem como de seus vizinhos.
Se o incêndio ocorrer enquanto você dorme, ao perceber o caos, poderá até ser tarde demais. O Museu Nacional, no Rio Janeiro, que ardeu há cinco anos, queimando 90% do acervo mais precioso de nossa história, numa madrugada de domingo, tem em seu laudo, hoje, atestado pela Polícia Federal, que o incidente de graves proporções ocorreu por falta de uma manutenção adequada. Segundo especialistas em cupins, foram eles (sim, eles, os cupins!) que destruíram nossa história, com 20 milhões de itens que nunca mais teremos de volta. Bem assim: um curto, um incêndio, o fogaréu, e nossa história queimada.
Agindo na surdina, eles trabalham para alimentar a colônia, sem o menor pudor do que podem estar destruindo, sem direção certa e, claro, sem compromisso com a sua salubridade. É um problema grave, uma praga urbana sem limites, que se expande não apenas no seu ambiente, como pode proliferar-se aos imóveis do entorno, sejam casas ou apartamentos. Nos casos dos edifícios, o perigo é ainda mais sério, pois o infortúnio do Museu Nacional pode ser replicado com facilidade num amontoado de vidas que moram sobre vidas, morrendo todos queimados, sem nem imaginar o que os tenha levado a tão triste fim.
Tratamento profissional
Avistado aquele primeiro montinho de madeira deixado por eles, saiba que ali não está o começo do problema, mas que a atividade da colônia já é intensa. Um alerta de que a coisa é muito pior do que seus olhos podem enxergar. Pó de madeira, estalactites marrons e finas, ruído oco nas madeiras e furos são o veredicto de que você os abriga. Os furos que podem ser observados não são entradas, mas aberturas que eles fazem para limpar as galerias.
Não corra para uma casa de produtos agrícolas, tampouco borrife venenos paliativos. Nada disso os conterá. É preciso chamar uma força-tarefa. Procure ajuda especializada, de empresas gabaritadas, não caia no golpe de quem higieniza seu sofá, limpa sua caixa d’água. Vá falar com quem sabe como liquidá-los. Eles fazem uma inspeção minuciosa. É preciso determinar, com profissionalismo, o melhor produto a ser aplicado. Existem injeções, líquido de alta pressão, armadilhas e selos, a química certa para cada situação, para garantir que se atinja até os pontos mais pretensamente inacessíveis. Tem que ser uma armada de igual poder de luta, que conheça o alcance destrutivo do inimigo e sua rápida expansão. Tanto da estrutura física da residência, mas também da estrutura emocional de quem convive, ou é obrigado a conviver com eles. Amadores, espalhados pela internet, apresentam propostas com fórmulas que podem trazer sérios riscos à saúde dos ocupantes do espaço infestado.
Assim como a frequência (a maioria das empresas oferece apenas um ano de garantia), o valor do procedimento depende principalmente do grau de infestação do lugar. Mas é esse investimento que garante a qualidade do serviço, que diferencia as imunizadoras sérias das empresas amadoras. Desconfie de preços muito abaixo da média do mercado. Ou tais “descupinizadoras” usam produtos de procedência duvidosa ou não investe o suficiente na qualificação de seus colaboradores. Você poderá até encontrar na internet um falastrão, proprietário da empresa, que atende ele mesmo o telefone, promete usar produtos imaculados e virá, sozinho, ele próprio aplicar o veneno.
Os cupins são organizados. Vivem numa sociedade onde sua manutenção e expansão são perfeitas para eles e implacáveis para nós. São divididos em três castas: a rainha e o rei, os soldados e os operários. Uma rainha é capaz de viver 50 anos, colocando uma média de três milhões de ovos por ano.
Do que gostam
As construções mais antigas são as que mais correm riscos, porque a madeira mais velha, macia para eles, facilita o consumo. Habitam o interior dos móveis porque não gostam de luz. Roem portas de cômodos, rodapés e até assoalhos. Tudo sem que a vista humana alcance. Envernizar móveis não adianta. Passar vinagre é lenda. Óleo de motor usado e querosene são igualmente inúteis. Eles não sentirão qualquer efeito nocivo.
Uma grande infestação pode comprometer estruturas imensas. Leigos acreditam que os cupins atacam as residências apenas durante o verão. Ledo engano. Eles se reproduzem em épocas quentes e chuvosas, mas a praga permanece atuante pelo ano inteiro. Mesmo escondidos, seguem seu caminho de destruição.
Saia de casa na hora da luta
Não acredite em empresas que prometem exterminar cupins com produtos de toxidade baixa. No Brasil isso não existe. Existe nos Estados Unidos e em níveis ainda experimentais. Sua importação, devido ao alto custo, é inviável. Veneno que mata cupim de verdade, mata pessoas também. Esteja longe durante a batalha. Quatro ou cinco dias. Leve seus pets, claro. Pode ser um estorvo a mais, mas as plantas também devem ser retiradas do local. Após a aplicação do veneno, é preciso arejar o ambiente.
Depois, a limpeza dos restos dos insetos. As melhores empresas cuidam disso. Há ainda a limpeza doméstica, aquela que quer trazer sua casa de volta. Muito sabão neutro, em todos os lugares. Em especial para quem tem animais em casa. Só após cumpridas essas etapas, seus ocupantes poderão voltar. Aconselha-se, inclusive, que os técnicos responsáveis façam uma última inspeção, para a segura liberação do imóvel.