12/05/2026 as 08:07
ELEIÇÕESRepublicanos e União Brasil estão com maiores forças às vésperas das eleições de outubro
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A Assembleia Legislativa de Sergipe (Alese) chegou ao fim da janela partidária de 2026 com um mapa político profundamente redesenhado. Dos 24 deputados estaduais que compõem a Casa, 12 migraram de legenda durante o período de 30 dias que vigorou entre 5 de março e 3 de abril. O movimento consolida o Republicanos e o União Brasil como as principais forças e aprofunda a polarização que deve marcar o pleito de outubro, quando todos os mandatos estarão em disputa. O maior beneficiário do rearranjo foi o bloco governista.
A aliança entre PSD e União Brasil, que sustenta o governador Fábio Mitidieri (PSD), passou a controlar 12 das 24 cadeiras – sendo seis para cada sigla –, o que é equivalente à maioria simples da Alese. O PSD manteve intacto seu time: Adailton Martins, Jeferson Andrade, Jorginho Araújo, Luciano Bispo, Maisa Mitidieri e Neto Batalha. Já o União Brasil incorporou, pela janela, parlamentares que antes compunham outras siglas, entre eles Lidiane Lucena, que deixou o Republicanos (a mulher mais votada da eleição de 2022). Completam a bancada do União Cristiano Cavalcante (líder do governo na Casa), Kaká Santos, Marcelo Sobral, Netinho Guimarães e Pato Maravilha. Do outro lado do tabuleiro, o Republicanos apostou na janela para reconstruir sua bancada e consolidar-se como principal polo de oposição.
O partido recebeu os deputados estaduais Marcos Oliveira (que veio do PL) e Georgeo Passos, que trocou o Cidadania pelo Republicanos no encerramento da janela. O crescimento do Republicanos em Sergipe se insere em um projeto nacional. No período da janela, a sigla recebeu, em todo o país, 14 novos deputados federais e 36 estaduais, consolidando uma bancada de 43 federais e 89 estaduais. Em Sergipe, além das filiações na Alese, os deputados federais Thiago de Joaldo e Ícaro de Valmir também migraram para o partido, reforçando a presença da sigla na bancada sergipana em Brasília. Outros partidos também registram movimentações relevantes na Alese.
O PL passou a contar com dois representantes: Luciano Pimentel e Luizão Donatrampi. Pimentel, egresso do PP, e Donatrampi, do União Brasil. Entre os partidos com assento individual, o MDB tem Garibalde Mendonça (que antes era do PDT), o PSB é representado por Kitty Lima (deixou o Cidadania) e o Psol mantém Linda Brasil. Há, também, Áurea Ribeiro, que saiu do Republicanos e agora está no PP. A Federação PT/PV encerrou a janela com quatro deputados: Carminha Paiva e Chico dos Correios, pelo PT; e Ibraim Monteiro e Paulo Júnior, pelo PV. Uma das perdas mais expressivas ficou por conta do Cidadania. Com a saída de Georgeo Passos para o Republicanos e Kitty Lima para o PSB, o partido ficou sem representação na Casa Legislativa.
Governabilidade reforçada e oposição pressionada A nova configuração já tem implicações diretas sobre a governabilidade do estado. Com PSD e União Brasil detendo metade das cadeiras, o governador Fábio Mitidieri – que tenta a reeleição – opera a partir de uma base sólida no Legislativo, facilitando a aprovação de projetos de interesse do Executivo. O cenário reforça o que analistas políticos já antecipavam: a janela funcionaria menos como uma janela de oportunidades para a oposição e mais como um mecanismo de consolidação do campo governista. Por outro lado, a oposição tenta se articular em torno do Republicanos, que acumula força com as chegadas e projeta o ex-prefeito Valmir de Francisquinho como seu pré-candidato ao governo estadual. Valmir renunciou à Prefeitura de Itabaiana para entrar na disputa majoritária.