03/09/2026 as 16:08

GREVE

Professores da rede estadual cruzam os braços e convocam atos

A partir da próxima terça, 8, a categoria entra em greve por tempo indeterminado

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Professoras e professores da rede estadual de ensino decidiram, em assembleia geral, entrar em greve por tempo indeterminado a partir da próxima terça-feira, dia 8 de setembro. O primeiro dia de greve será marcado por ato, às 8h, em frente ao Palácio de Despachos, em Aracaju. A decisão foi aprovada ontem, 2, durante encontro no auditório do Cotinguiba Esporte Clube. 

Na quarta-feira, 9, professoras e professores farão novo ato em frente à Secretaria de Estado da Educação (SEED), em Aracaju. Além dos atos na capital, as subsedes do Sintese estão organizando, também para o dia 9 de setembro, atos regionais em todo o estado. A agenda dos atos regionais será divulgada em breve.

Professoras e professores decidiram, mais uma vez, entrar em greve diante da postura intransigente do Governo do Estado que insiste em não apresentar proposta para o cumprimento da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), a respeito da retomada dos escalonamentos da carreira do magistério da rede estadual, negando um direito conquista por nossa categoria, após 14 anos de luta.

“Nós temos que tirar o governo dessa zona de conforto. E, para enfrentar este cenário, precisamos de ainda mais unidade e muita luta. Por isso, vamos abrir nossa greve, no dia 8, com um grande ato na porta do Palácio de Despachos para dizer ao governador que ele precisa respeitar as professoras e os professores deste Estado, que ele tem que cumprir a decisão do STF e retomar nosso escalonamento”, reforçou o presidente do Sintese, professor Roberto Silva.

Entenda os motivos da greve

Em outubro de 2025, professoras e professoras da Rede Estadual de Ensino de Sergipe, conseguem no Supremo Tribunal Federal (STF) uma vitória histórica: a Lei 213/2011 foi decretada inconstitucional. Esta lei foi responsável pela destruição do plano de carreira do magistério sergipano.

Após 14 anos de espera, o Supremo determinou que o Governo do Estado tem a obrigação de retornar os escalonamentos da carreira de 40% a 100%, como era até 2011, voltando a vigorar a Lei Estadual nº 163/2009.

Até 2011 a professora e o professor era valorizado à medida que avança nos estudos, ou seja, quanto mais graduado um professor, mais valorizado. O nível médio era a referência inicial da carreira que ia escalonando, de 40% a 100%, a cada nível de formação: do nível médio ao doutorado.

Por que é calote

Desde a decisão do STF até o presente momento, o SINTESE tem cobrado do Governo do Estado o cumprimento da decisão judicial, buscou canal de diálogo, mostrou que as professoras e professores estavam abertos a negociação, mas o Governo, mesmo tendo se comprometido com o magistério, não apresentou nenhuma proposta.

No final de julho de 2026, o governador, Fábio Mitidieri, protocolou um documento junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo expressamente autorização para não cumprir a decisão judicial, ou seja, o governo está pedindo autorização ao STF para dar um calote no magistério sergipano.

O Governo justifica dificuldades financeiras e proibição da legislação eleitoral, mas dados da própria Secretaria da Fazenda mostram que, nos primeiros quatro meses de 2026, o Estado teve uma margem fiscal superior a R$ 1,4 bilhão para despesas com pessoal e a legislação eleitoral não impede cumprimento de sentença judicial.

Enquanto isso, professoras e professores acumulam 14 anos de perdas. Hoje, um professor recebe 54% menos do que receberia em 2011 quando o plano de carreira foi destruído.

O presidente do Sintese, professor Roberto Silva, relembra que havia um compromisso por parte do Governo de Estado, de negociar a retomada da carreira. Diante da tentativa de calote, professor Roberto faz o chamamento da categoria para a luta.

“A retomada dos escalonamentos da nossa carreira foi um compromisso firmado pelo Governo do Estado, com o magistério, o que motivou o fim da greve da nossa categoria, em março deste ano. Havia um compromisso do Governo de estabelecer um processo de negociação, junto ao Sintese, para cumprir a decisão do STF. No entanto, não houve tal negociação e agora a tentativa de calote. Por isso, é fundamental seguirmos com unidade em nossa luta e aderir com força total a estas 48 horas de greve. Esperamos professoras e professores na rua e na luta, nos dias 26 e 27 de agosto”, conclama o presidente.