23/01/2024 as 08:21
ENTREVISTAEla explica: “em um cenário já polarizado e mesmo com uma entrada tardia no processo, obtivemos quase 12% dos votos válidos. Foram mais de 21 mil votos só na capital”.
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Escolhida na semana passada como pré-candidata à prefeitura de Aracaju pelo PSOLl, a advogada Niully Campos acredita que a decisão partidária levou em conta a experiência dela ter disputado a eleição majoritária em 2022, somada ao seu desempenho eleitoral.
Ela explica: “em um cenário já polarizado e mesmo com uma entrada tardia no processo, obtivemos quase 12% dos votos válidos. Foram mais de 21 mil votos só na capital”. “Como jovem mulher negra e mãe, professora, estudante e advogada, vivo os desafios da classe trabalhadora” e está disposta ao enfrentamento. Ainda sobre a sua escolha, Niully diz que vale também lembrar que obteve os votos da maioria do partido no congresso e na reunião ampliada da direção ela quer entrar em campanha com muita disposição e avalia que “não basta ser mulher”, lembrando que é preciso enfrentar a direita e a extrema direita para construir um programa radicalmente popular, capaz de dialogar com a sociedade e apresentar uma alternativa de mudança real para Aracaju. A seguir os principais trechos da entrevista.
JORNAL DA CIDADE - Niully, por que você é pré-candidata a prefeita pelo PSOL em Aracaju?
NIULLY CAMPOS - Sou pré-candidata porque o partido escolheu meu nome para representar a diversidade do PSOL na eleição para prefeita de Aracaju em 2024. O PSOL vem se reunindo desde o ano passado, dialogando em plenárias e congressos com ampla participação da militância. No último dia 18/01, em reunião ampliada da direção do partido, meu nome foi escolhido como pré-candidata a prefeita. A decisão levou em conta a experiência de eu ter disputado a eleição majoritária em 2022 somada ao meu desempenho eleitoral. Em um cenário já polarizado e mesmo com uma entrada tardia no processo, obtivemos quase 12% dos votos válidos. Foram mais de 21 mil votos só na capital. Sinto-me pronta para mais este desafio e sou grata aos companheiros e companheiras do PSOL pela confiança. Realizamos 3 plenárias em Aracaju, na etapa municipal do Congresso Nacional. Em seguida, realizamos um Congresso com a presença da Presidenta Nacional do PSOL. Em todos os momentos, 3 mulheres colocaram o nome como pré-candidatas, e o debate já estava colocado. A decisão reflete a opinião dos mais de 500 filiados do PSOL que, no Congresso, votaram na Tese que defendia o meu nome, por acreditar em nosso programa para o partido, mas também sinalizando uma preferência na tática eleitoral. O diretório municipal apenas ratificou a decisão da ampla militância do partido, expressada nas plenárias do 8° Congresso do PSOL. Não foi uma decisão isolada. Vale lembrar que obtivemos os votos da maioria do partido no Congresso e na reunião ampliada da direção. O debate faz parte da democracia interna do partido. Saio desse momento interno, assim como já havia saído do congresso, com maioria da militância do PSOL ao meu lado, mas, sem dúvida nenhuma, o partido estará unificado em torno da minha précandidatura daqui para a frente.
JC - O que lhe diferencia dos demais précandidatos.
NC - Como jovem, mulher negra, mãe, professora, estudante e advogada, vivo os desafios da classe trabalhadora. Quero seguir usando a potência de minha voz como megafone das lutas do povo. Ficará claro para o povo de Aracaju que não basta ser mulher. É preciso enfrentar a direita e a extrema direita para construir um programa radicalmente popular, capaz de dialogar com a sociedade e apresentar uma alternativa de mudança real para Aracaju.
JC - O PSOL trabalha aliança para a disputa? Com quais partidos?
NC - Sim. Aprovamos em resolução, por consenso, que a unidade da esquerda é fundamental para enfrentar a extrema direita. Com o crescimento e o peso real do PSOL hoje, acreditamos numa unidade de toda a esquerda, PT, PCdoB, PCB, UP, PSTU em torno de uma candidatura histórica que traga esperança para a classe trabalhadora.
JC - Já está conversando com possíveis aliados?
NC - Sim. Vamos ampliar o diálogo com partidos, sindicatos, movimentos e associações para a formação de uma frente de esquerda para a disputa da cidade de Aracaju.
JC - Quem poderá ser o seu vice?
NC - Ainda não tratamos sobre os possíveis nomes. Vamos construir aliança em torno de um programa comum.
JC - O PSOL caminhará unido para as urnas?
NC - Com certeza. O PSOL é um partido que se diferencia por sua forte democracia interna e sua diversidade. Mas na hora da luta eleitoral, fica evidente que o que nos une é maior do que nossas divergências. Estaremos juntos na construção de um projeto popular para Aracaju, por uma cidade que tenha como prioridade a garantia de direitos para a classe trabalhadora em toda sua diversidade e defenda a preservação do meio ambiente.
JC - O PSOL entra na disputa com competitividade?
NC - Nosso partido se tornou uma grande referência como alternativa de esquerda no Brasil, em Sergipe e, especialmente, em Aracaju. Obtivemos quase 12% dos votos aqui na capital em 2022, quando disputei o governo do estado. Estamos prontos para construir uma pré-campanha que represente o anseio de mudança do povo de Aracaju e que nos coloque no segundo turno da disputa pela Prefeitura.
|Por Eugênio Nascimento
||Foto: Divulgação