10/09/2025 as 08:42

ORÇAMENTOS

Folhas de pagamentos consomem mais da metade das despesas na Grande Aracaju

Segundo o TCE, encargos sociais representam maior parte dos orçamentos municipais

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Por Fernanda Spínola

Os dados mais recentes do Tribunal de Contas do Estado de Sergipe (TCE-SE) mostram que os municípios da Grande Aracaju enfrentam um cenário de retração em 2025. Em Aracaju, Nossa Senhora do Socorro, São Cristóvão e Barra dos Coqueiros, as receitas registraram queda significativa em comparação ao ano de 2024, enquanto as despesas fixas, sobretudo a folha de pagamento, continuam ocupando a maior parte do orçamento.

Na prática, os números revelam que a prioridade das prefeituras segue sendo a manutenção dos serviços básicos e encargos sociais, enquanto áreas como habitação, transporte, ciência e tecnologia, cultura e esporte continuam recebendo recursos mínimos.

Aracaju

A capital sergipana arrecadou R$ 2,43 bilhões até julho de 2025. Apesar do volume expressivo de receitas, Aracaju apresentou déficit em junho e julho.

Em junho, a receita foi de R$ 314,2 milhões, enquanto a despesa líquida chegou a R$ 330,3 milhões. Em julho, a situação se repetiu: arrecadação de R$ 339,6 milhões contra despesas de R$ 367,2 milhões.Ou seja, nos dois últimos meses analisados, a prefeitura gastou mais do que arrecadou.

A maior parte dos gastos está concentrada em pessoal e encargos sociais, que são custos associados à folha de pagamento de colaboradores, incluindo salários, benefícios, adicionais e contribuições sociais obrigatórias, como INSS e FGTS. Esse valor representa 52,26% das despesas pagas. Somando saúde (R$ 391,5 milhões), administração (R$ 383,4 milhões) e educação (R$ 349,9 milhões), três áreas absorvem quase metade do orçamento já executado, mostrando pouca margem para investimentos, que representam apenas 9,1% do total.

A cidade ainda destinou recursos menores para áreas como segurança pública (R$ 117,4 mil), ciência e tecnologia (R$ 357,1 mil) e direitos de cidadania (R$ 535,8 mil). Habitação (R$ 14,4 milhões) e desporto e lazer (R$ 11,2 milhões) também aparecem entre as menores fatias do orçamento.

Barra dos Coqueiros

Com pouco mais de 44 mil habitantes, a Barra dos Coqueiros apresenta um cenário de redução da arrecadação em 2025. Enquanto em 2024 o município arrecadou R$ 315,2 milhões, em 2025, até julho, a receita foi de apenas R$ 187,9 milhões, menos de 60% do total do ano anterior.

Apesar disso, a prefeitura gastou R$ 164,7 milhões até julho, quase todo o valor arrecadado. Assim como em Aracaju, mais da metade dos gastos está comprometida com pessoal e encargos sociais (59,68%), enquanto os investimentos representam apenas 4,23% das despesas pagas.

A área de educação lidera os gastos (R$ 44,5 milhões), seguida pela saúde (R$ 30,8 milhões) e urbanismo (R$ 20,9 milhões).

Já as áreas que receberam menos recursos foram agricultura (R$ 527,8 mil), gestão ambiental (R$ 538,6 mil) e ciência e tecnologia (R$ 568,1 mil). Desporto e lazer (R$ 774,4 mil) e previdência social (R$ 1,03 milhão) também estão entre as áreas de menor prioridade.

Em Socorro, só sobra 1,49% para investimentos 

Em Nossa Senhora do Socorro, município com mais de 202 mil habitantes, o contraste entre 2024 e 2025 é nítido. No ano passado, a cidade arrecadou R$ 810,8 milhões. Já em 2025, até julho, foram registrados apenas R$ 436 milhões em receitas.

Foto: Prefeitura de Socorro.

As despesas também caíram, passando de R$ 722,7 milhões em 2024 para R$ 394,3 milhões. A principal preocupação é que a maior parte do orçamento continua comprometida com despesas de pessoal e encargos sociais (59,17%), sobrando apenas 1,49% para investimentos.

As áreas que mais receberam recursos em 2025 foram educação (R$ 102,3 milhões) e saúde (R$ 83,6 milhões), seguidas de administração (R$ 51,6 milhões).

Aqui os números mais baixos foram para transporte (apenas R$ 25,5 mil) e habitação (sem nenhum repasse em 2025). Também receberam menos recursos comércio e serviços (R$ 493,4 mil), desporto e lazer (R$ 757,3 mil) e gestão ambiental (R$ 1,02 milhão).

Esclarecimentos

Sobre os dados expostos no de Contas do Estado, a Secretaria Municipal de Planejamento, Orçamento e Transformação Digital (Seplan) de Nossa Senhora do Socorro informou, por meio de nota, que vem conduzindo suas ações a partir do orçamento herdado da gestão anterior, realizando os remanejamentos necessários.

“Atualmente, estão em andamento dois projetos de Regularização Fundiária Urbana (REURB), com recursos provenientes de convênio federal: o primeiro abrangendo as comunidades Vassouras, Novos Rumos e Terra Prometida; e o segundo, no bairro Novo Horizonte. Com recursos próprios, o município também está executando a REURB do Areal Mangabeira”, explicou.

Por fim, a nota da prefeitura: “Além disso, houve o destravamento do projeto Minha Casa Minha Vida – subvenção – que, em sua primeira fase, garantirá a entrega de 404 unidades habitacionais. Ainda neste mês de setembro, a Prefeitura deu início às obras do empreendimento Rio Sergipe, também vinculado ao Minha Casa Minha Vida, cuja execução dependia da contrapartida do município”.

Em São Cristóvão, chama atenção alto índice de execução orçamentária

Com 100.360 habitantes, os números chamam a atenção pelo alto índice de execução orçamentária. A cidade arrecadou R$ 187,1 milhões e já pagou R$ 160,6 milhões, ou seja, mais de 85% da receita foi transformada em despesa paga até julho.

Foto: Heitor Xavier

A distribuição das despesas mostra concentração em áreas como: Educação (R$ 102,3 milhões) e Saúde (R$ 83,6 milhões) lideram, seguidas por Administração (R$ 51,6 milhões) e Urbanismo (R$ 41,1 milhões).

O município aplicou menos em habitação (zero), transporte (R$ 25,5 mil) e comércio e serviços (R$ 493,4 mil). Desporto e lazer (R$ 757,3 mil) e gestão ambiental (R$ 1,02 milhão) também ficaram entre os setores menos financiados.

Na classificação por natureza, mais da metade das despesas (53,6%) foram para pessoal e encargos sociais, enquanto os investimentos representaram 6,9% do total, percentual mais alto nos demais municípios da região metropolitana, exceto a capital.

A equipe de reportagem entrou em contato com a Prefeitura de São Cristóvão, mas até o fechamento desta matéria não houve retorno.

Nas quatro cidades da Grande Aracaju, habitação, transporte, desporto e lazer, ciência e tecnologia e gestão ambiental estão entre as áreas que menos recebem investimentos. Isso mostra uma tendência: enquanto saúde, educação e administração concentram a maior parte dos recursos, setores voltados para infraestrutura urbana, inovação e qualidade de vida acabam ficando em segundo plano.