23/04/2026 as 09:03
SERVIÇONa Câmara de Aracaju, vereadores criticaram concessionária por serviços
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A crise no abastecimento de água em Aracaju dominou os debates na sessão da Câmara Municipal dessa quarta-feira, dia 22. Em diferentes momentos da ordem do dia, vereadores de situação e oposição subiram à tribuna para criticar a atuação da Iguá, concessionária responsável pela distribuição de água na capital sergipana, e cobrar providências diante dos recorrentes rompimentos de adutoras, que têm deixado bairros inteiros sem abastecimento por dias seguidos. No Grande Expediente, o líder da oposição, vereador Elber Batalha (PSB), classificou a conduta da empresa como “negligente e irresponsável”.
Ele ressaltou que diversos pontos da capital chegaram a ficar até três dias sem água e questionou a frequência crescente dos rompimentos. “É inconcebível que continue esse nível de irresponsabilidade. Eu nunca vi tanto rompimento de adutora na minha vida. Parece que essas adutoras, que nunca rompiam, agora rompem o tempo todo”, afirmou. Batalha também denunciou a baixa pressão no abastecimento quando este é restabelecido. Segundo o parlamentar, em muitos casos, a água sequer chega às caixas d’água das residências. “As pessoas têm uma água fraquíssima durante um curto período do dia, e quem tem algum recurso maior coloca uma bomba para jogar água para cima”, relatou. Ao concluir, o vereador rejeitou justificativas baseadas em promessas de investimentos futuros. “Não vamos nos satisfazer com histórias: ‘Estamos investindo milhões’. Invista esses milhões, mas faça a água chegar às pessoas, porque antes chegava. Água é dignidade, o povo quer água”, declarou. No Pequeno Expediente, a vereadora Sonia Meire (Psol) também destacou que a crise afeta praticamente toda a cidade, da zona norte à zona sul, e criticou a postura reativa da concessionária diante de falhas que se repetem. “É impressionante como sempre se coloca o problema, com uma dificuldade de se antecipar aos rompimentos de adutoras e canos. Essa empresa não tem tecnologia capaz de identificar um problema antes de acontecer. E isso já mostra a incapacidade da Iguá de fazer a gestão do acesso à água no nosso estado”, afirmou.
A parlamentar também atribuiu o agravamento da situação ao processo de concessão do serviço, antes prestado pela Deso. “Não basta entregar um serviço essencial na mão de uma empresa privada, porque ela não vai garantir esse direito ao cidadão”, disse. De acordo com a Iguá, o episódio mais recente foi causado por um vazamento na adutora que abastece a estação elevatória de água tratada 3, afetando 16 bairros: Farolândia, Salgado Filho, Grageru, Treze de Julho, São Conrado, Jabotiana, Ponto Novo, Suíssa, Jardins, São José, José Conrado de Aracaju, Mosqueiro, Areia Branca, Matapuã, Gameleira e Inácio Barbosa. A empresa alegou que o local, de difícil acesso, e as fortes chuvas na região atrasaram os reparos, com previsão de conclusão até as 12h desta quarta-feira e normalização gradual do abastecimento. Requerimento
O vereador Anderson de Tuca (União Brasil) anunciou que vai protocolar requerimento solicitando informações sobre o número de equipes mantidas pela Iguá em Aracaju. “Fazemos um apelo para que essa Casa faça uma audiência, um requerimento ou outro instrumento para que saibamos o que está ocorrendo”, disse. O vereador Camilo Daniel (PT) alertou que os transtornos não decorrem das chuvas, mas da ausência de manutenção preventiva. Ele citou o caso do bairro Santa Maria, onde a falta de água já dura quatro dias e atinge cerca de 50 mil moradores. Por fim, o vereador Iran Barbosa (Psol) apresentou dados do IBGE para dimensionar o retrocesso no setor: a cobertura de abastecimento diário em Sergipe caiu de 81%, em 2016, para 64% em 2025 — a maior redução registrada no país no período. “O resultado é esse: o serviço fica sacrificado em prol do lucro. Precisamos encontrar um caminho”, concluiu.