12/05/2026 as 09:46
IPESAÚDEA audiência está marcada para esta quarta-feira, 13. Segundo o sindicato, a espera pode debilitar ainda mais a saúde.
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Pacientes com câncer, usuários do Ipesaúde, têm enfrentado dificuldade para conseguir marcar exames, até periódicos simples, porém fundamentais para o tratamento, como é o caso de hemograma, trazendo prejuízos e agravamento do quadro clínico. A queixa é do Sintese, que afirma ter encaminhado ofício solicitando audiência com a presidência do Ipesaúde para tratar das denúncias sobre dificuldades e espera para atendimento, entre outros pontos. A audiência está marcada para esta quarta-feira, 13. Segundo o sindicato, a espera pode debilitar ainda mais a saúde.
Os pacientes relataram ao sindicato a alteração nos prazos para realização de exames essenciais ao tratamento contínuo, a exemplo do PET-CT e ressonância magnética. De acordo com relatos, o prazo para a realização dos exames era de até 15 dias. No entanto, passou a ser condicionado a cotas estabelecidas pelas clínicas credenciadas: o paciente espera a disponibilidade, ou não, da clínica em realizar o exame.
As restrições no acesso a serviços essenciais para pacientes com câncer passam também por insegurança sobre os atendimentos de urgência. Sobre este ponto, cita o Sintese, as denúncias apontam que faltam médicos emergencistas no Ipesaúde, devidamente qualificados para o atendimento de pacientes com condições clínicas complexas. Outro ponto citado pelo sindicato é que os pacientes estariam convivendo com a falta de oncologistas em regime de sobreaviso, o que, além de gerar receio e insegurança nos usuários, pode significar agravamento do quadro clínico, já que o atendimento imediato e especializado, diante de uma situação emergencial, não estaria sendo assegurado.
Em tratamento oncológico há 5 anos pelo Ipesaúde, a professora aposentada e ex-deputada Ana Lúcia Vieira narra o que tem vivenciado. “Há poucas semanas negaram quatro exames meus, inclusive hemograma, que preciso fazer todos os meses. A preocupação, não só minha, mas de vários outros pacientes com quem converso, é ter piora no quadro e ter que ir para a emergência, porque o IPES não prioriza contratar médico emergencista, nem tem oncologista em sobreaviso. A situação é gritante e pacientes oncológicos estão tendo seus quadros agravados, e até indo a óbito, por desconhecimento do médico de plantão. Temos quase mil tipos de câncer e, para cada tratamento, os efeitos colaterais são diferentes, não é ‘receita de bolo’, precisamos de especialistas específicos. Quem tem doença crônica e grave, como a minha, e é usuário do Ipesaúde, está correndo sérios riscos. Estamos negligenciados”, denuncia.
Outra situação que chama a atenção, de acordo com o Sintese, são as mudanças no local de tratamento e nos profissionais responsáveis pelo acompanhamento dos pacientes oncológicos. De acordo com o sindicato, não há uma prévia comunicação, muito menos consentimento do paciente ou de sua família sobre tal mudança, uma situação que estaria gerando sofrimento emocional e prejuízos à continuidade do cuidado para pessoas que já estão fragilizadas. Para o presidente do Sintese, professor Roberto Silva, faz-se necessário um posicionamento do Ipesaúde, bem como a adoção de medidas concretas que garantam o pleno acesso e a qualidade da assistência aos usuários em tratamento oncológico. “No ofício que enviamos à presidência, pedimos esclarecimentos formais acerca dos critérios utilizados para autorização e eventual negativa de exames oncológicos”.