19/05/2026 as 18:02

ENFRENTAMENTO/HANSENÍASE

Sergipe amplia qualificação de profissionais da saúde

Capacitação busca ampliar diagnóstico precoce e reduzir sequelas causadas pela doença

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A Secretaria de Estado da Saúde (SES), por meio da Fundação Estadual de Saúde (Funesa) e da Escola de Saúde Pública de Sergipe (ESP-SE), realiza até a próxima sexta-feira, 22, a Capacitação em Manejo Clínico, Avaliação e Prevenção de Incapacidades em Hanseníase. Realizado em parceria com a Sociedade Brasileira de Hansenologia, no Hospital Universitário da Universidade Federal de Sergipe (HU/UFS), o evento reúne médicos e enfermeiros da Atenção Primária à Saúde (APS) de municípios sergipanos.

A iniciativa tem como objetivo fortalecer a qualificação permanente dos profissionais da rede pública para o diagnóstico precoce, manejo adequado e acompanhamento dos casos de hanseníase, considerada ainda um importante problema de saúde pública no estado. A programação inclui atividades teóricas e práticas voltadas à avaliação clínica, identificação precoce dos sinais da doença, prevenção de incapacidades e condução terapêutica dos casos.

O dermatologista hansenologista Marco Andrey destacou que a capacitação representa um importante avanço para o fortalecimento da assistência à população e para o enfrentamento da hanseníase em Sergipe. “A doença hoje apresenta mudanças importantes no perfil de manifestação, principalmente com sintomas neurológicos, como dormência, formigamento, dor nos nervos e alterações de sensibilidade, que muitas vezes aparecem antes das lesões clássicas de pele. Por isso, é fundamental capacitar os profissionais da Atenção Primária para reconhecer esses sinais precocemente e realizar o diagnóstico no momento oportuno”, afirmou.

O médico dermatologista e representante da Sociedade Brasileira de Dermatologia – Regional Sergipe, Pedro Dantas Oliveira, enfatizou a importância da qualificação das equipes que atuam como porta de entrada do SUS. “Os profissionais da Atenção Primária são fundamentais para garantir o diagnóstico precoce e evitar incapacidades causadas pela hanseníase. A formação oferece atualização técnica e troca de experiências que fortalecem a condução clínica e o cuidado integral aos pacientes”, destacou.

A responsável técnica do Programa Estadual de Controle da Hanseníase, Fátima Dias, disse que a capacitação busca fortalecer a expertise das equipes da Atenção Primária para identificação dos casos ainda nas fases iniciais. “A hanseníase continua sendo um desafio para a saúde pública, e o diagnóstico precoce é essencial para evitar sequelas e interromper a transmissão. Nossa proposta é que esses profissionais levem o conhecimento adquirido durante a capacitação para seus territórios, ampliando a qualificação das equipes locais e fortalecendo o acompanhamento dos pacientes e familiares”, afirmou.

A médica de Saúde da Família na cidade de Nossa Senhora da Glória, Adeline Brito, avaliou a formação como fundamental para fortalecer o trabalho desenvolvido na Atenção Primária. “A hanseníase ainda é uma doença muito subdiagnosticada. Participar de uma capacitação como essa amplia nosso conhecimento e melhora a qualidade do cuidado prestado aos pacientes. A Atenção Primária tem papel essencial na orientação da população e na identificação precoce dos casos, principalmente por meio dos agentes comunitários de saúde”, ressaltou.

Prevenção

Os especialistas reforçam que o diagnóstico precoce continua sendo a principal estratégia para evitar complicações e interromper a cadeia de transmissão da hanseníase. Entre os principais sinais de alerta estão manchas na pele com alteração de sensibilidade, dormência, formigamentos, dor nos nervos e perda de força em mãos e pés. A orientação é que pessoas com sintomas procurem imediatamente a unidade básica de saúde para avaliação clínica.

O dermatologista Pedro Dantas Oliveira informou que o acompanhamento dos contatos próximos dos pacientes diagnosticados também é essencial para o controle da doença. “A hanseníase é transmitida de pessoa para pessoa e, por isso, identificar precocemente os casos transmissores é fundamental para evitar novas contaminações. O acompanhamento familiar e a busca ativa dos contatos fazem parte das principais medidas de saúde pública para reduzir a propagação da doença”, alertou.

Tratamento

A hanseníase tem cura e o tratamento é ofertado gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A terapia é realizada por meio da poliquimioterapia, com acompanhamento contínuo das equipes de saúde, permitindo controlar a doença, interromper a transmissão e prevenir incapacidades físicas causadas pelo diagnóstico tardio.