15/09/2026 as 11:05

HÁBITOS

Pescoço de texto: uso excessivo do celular pode causar dores

Para o ortopedista da Hapvida, Renato Pinto, o problema merece atenção principalmente quando o uso prolongado do aparelho vem acompanhado de pouco movimento ao longo do dia

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Responder mensagens, conferir as redes sociais, trabalhar ou simplesmente navegar na internet. O celular está presente em diferentes momentos da rotina e, com o aumento do tempo diante das telas, crescem também os impactos de determinados hábitos sobre o corpo. Entre eles está o chamado “pescoço de texto”, expressão usada para descrever desconfortos associados a longos períodos olhando para o celular com a cabeça inclinada para frente.

Segundo o Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (INTO), a postura durante o uso prolongado de dispositivos móveis pode sobrecarregar a musculatura e as articulações da coluna cervical, favorecendo dores no pescoço, ombros e região superior das costas. Quanto maior a inclinação da cabeça para frente, maior a carga exercida sobre a região cervical.

Para o ortopedista da Hapvida, Renato Pinto, o problema merece atenção principalmente quando o uso prolongado do aparelho vem acompanhado de pouco movimento ao longo do dia. “Quando permanecemos muito tempo olhando para uma tela, principalmente com a cabeça inclinada e sem alternar a posição, a musculatura do pescoço e dos ombros fica submetida a uma sobrecarga prolongada. Isso pode favorecer tensão, fadiga muscular, rigidez e desconforto”, explica.

Não é apenas o pescoço

Apesar do nome, os desconfortos podem atingir também ombros e costas. “Nosso corpo funciona de maneira integrada. Quando projetamos a cabeça para frente, podemos modificar também o posicionamento dos ombros e da parte superior das costas. Se isso acontece repetidamente e por muito tempo, algumas pessoas começam a perceber desconfortos em diferentes regiões”, afirma Renato.

O especialista ressalta que o celular não deve ser apontado isoladamente como causa de toda dor cervical. Sedentarismo, condições musculoesqueléticas, rotina de trabalho e qualidade do sono também podem contribuir. “Uma pessoa que passa muitas horas sentada, realiza pouca atividade física, dorme mal e permanece longos períodos sem mudar de posição reúne diferentes fatores que podem contribuir para o aparecimento de dores”, destaca.

Quando procurar ajuda?

Um desconforto ocasional pode surgir após muito tempo na mesma posição e melhorar com movimento, descanso e mudança de hábitos. Quando a dor se torna frequente ou persistente, porém, é importante investigar.

“Se a dor começa a se repetir, aumenta de intensidade, limita os movimentos ou interfere no trabalho, no sono ou nas atividades do dia a dia, é importante procurar avaliação médica. Formigamento, perda de força ou dor que se irradia para os braços também são sinais que precisam ser investigados”, orienta Renato.

Movimento é parte da prevenção

Para quem utiliza celular e computador por muitas horas, algumas mudanças simples podem ajudar: fazer pausas periódicas, alternar posições, evitar permanecer muito tempo com a cabeça inclinada e manter as telas próximas à altura dos olhos.

O INTO também recomenda mudar de posição e realizar alongamentos durante o uso prolongado dos dispositivos.

“A ideia não é demonizar o celular, porque ele faz parte da nossa vida pessoal e profissional. O cuidado está na maneira como utilizamos esses dispositivos e, principalmente, em evitar horas seguidas na mesma posição. Levantar, movimentar o corpo, fazer pausas e manter uma rotina de atividade física e fortalecimento são atitudes importantes para a saúde da coluna”, orienta o médico.