08/06/2026 as 10:19
COPA DO MUNDOConfronto em Nova Jersey promete definir os rumos do Grupo C
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O sorteio realizado em Washington D.C. colocou o Brasil diante do desafio mais exigente da fase de grupos logo na estreia. No dia 13 de junho, às 19h (horário de Brasília), as seleções de Carlo Ancelotti e Mohamed Ouahbi se encontram no MetLife Stadium, em Nova Jersey, em um confronto que tanto pela história recente quanto pela qualidade dos elencos desponta como o jogo mais relevante do Grupo C.
Ao lado de Escócia e Haiti, Brasil e Marrocos chegam ao Mundial como candidatos naturais às duas vagas nas oitavas de final. O duelo de abertura entre os dois favoritos da chave carrega ainda um peso adicional: um tropeço logo no primeiro jogo pode obrigar o time derrotado a correr atrás do resultado nos confrontos seguintes, em um grupo que não oferece margem confortável para erros.
O único jogo em Copas e o fantasma de 2023
O histórico entre as seleções é curto, mas o confronto mais recente redefiniu a perspectiva sobre o duelo. A única partida oficial disputada em uma Copa do Mundo aconteceu na edição de 1998, na França, com vitória brasileira por 3 a 0, com gols de Ronaldo, Rivaldo e Bebeto. Desde então, as equipes voltaram a se encontrar apenas uma vez, em março de 2023, em amistoso realizado em Tânger.
O resultado daquele amistoso marcou uma mudança de referência no retrospecto entre os países. O Marrocos venceu por 2 a 1, com gols de Boufal e Sabiri, enquanto Casemiro descontou para o Brasil, consolidando a primeira vitória africana sobre a Seleção na história do confronto. Ao todo, são três partidas entre as seleções, com duas vitórias brasileiras e uma do Marrocos.
O Brasil de Ancelotti e o peso da expectativa
A seleção brasileira embarcou para os Estados Unidos na noite de segunda-feira (1º), com 23 dos 26 convocados, em direção à base de treinos no
complexo do New York Red Bulls, em Morristown, Nova Jersey, onde o grupo realizou o primeiro treino menos de 24 horas após o embarque. Antes da estreia no dia 13, o grupo ainda disputa o amistoso contra o Egito no dia 6 de junho, em Cleveland, como última avaliação do técnico Carlo Ancelotti.
O elenco convocado reúne nomes de alto nível nos principais clubes europeus, com Vinicius Junior (Real Madrid), Raphinha (Barcelona), Gabriel Martinelli (Arsenal), Marquinhos (PSG) e Bruno Guimarães (Newcastle) entre as referências. A principal novidade é o retorno de Neymar, que se recuperou de lesão no ligamento cruzado anterior e disputará sua quarta Copa do Mundo pelo Brasil.
Apesar da qualidade individual, o Brasil chega ao Mundial com menos certezas do que o habitual. A campanha turbulenta nas Eliminatórias, as trocas de comissão técnica e o pouco tempo de Ancelotti no cargo colocam a seleção em uma posição de transição. O técnico italiano assumiu em 2025 após o fim de seu ciclo no Real Madrid e tem trabalhado para construir uma identidade coletiva em meses, o que representa um desafio diferente de desenvolver um projeto ao longo de um ciclo completo.
Marrocos: renovação e continuidade sob Ouahbi
Do outro lado do campo estará uma seleção que faz parte do novo eixo do futebol mundial. O Marrocos encerrou as eliminatórias africanas de forma invicta, vencendo os oito jogos disputados, marcando 22 gols e sofrendo apenas dois, antes de confirmar presença no Mundial com ampla vantagem sobre os concorrentes do continente.
O técnico Mohamed Ouahbi assumiu o comando da seleção em março de 2026, após a saída de Walid Regragui. Com 49 anos, Ouahbi vem das categorias de base marroquinas e conquistou o título do Mundial Sub-20 em 2025, derrotando a Argentina na final, conforme noticiou o portal Mix Vale. Nos amistosos preparatórios sob seu comando, o Marrocos empatou com o Equador (1 a 1), venceu o Paraguai (2 a 1) e goleou o Burundi (5 a 0).
O elenco convocado mantém uma base sólida, mesmo com a ausência de jogadores como Hakim Ziyech e Youssef En-Nesyri. Achraf Hakimi (PSG), capitão da seleção, lidera um grupo que ainda conta com Brahim Diaz (Real Madrid), Sofyan Amrabat (Betis) e o goleiro Yassine Bounou (Al Hilal), peças que participaram da campanha histórica de quarto lugar no Catar em 2022, quando os Leões do Atlas se tornaram a primeira seleção africana a alcançar uma semifinal de Copa do Mundo.
Hakimi é a grande referência individual do time. Lateral-direito de nível mundial, o jogador do PSG acumula 95 partidas e 11 gols pela seleção. Seu estilo de jogo combina velocidade ofensiva com capacidade de criar superioridade numérica pela faixa direita, tornando-o um dos jogadores mais difíceis de neutralizar no futebol mundial.
O jogo que define o grupo
O confronto direto entre Brasil e Marrocos deve ser o ponto de partida para a definição dos líderes da chave. A Escócia, que retorna ao Mundial após 28 anos de ausência, e o Haiti, que volta após 52 anos, completam o grupo com capacidade de complicar a vida dos favoritos, mas sem o mesmo nível técnico para disputar a liderança de forma consistente.
O Brasil chega como favorito pela tradição e pelo talento do elenco. No futebol brasileiro, o futebol concentrou 85,1% das apostas realizadas em agosto de 2025, segundo dados de uma casa de aposta, a Seleção aparece como favorita para vencer o Grupo C. Ainda de acordo com a bet, o Brasil aparece entre os favoritos ao título mundial, mas atrás de Espanha e França nas cotações, o que reflete a percepção do mercado sobre um elenco tecnicamente forte, mas ainda em construção coletiva.
Para o Marrocos, a estreia representa a oportunidade de confirmar diante do adversário mais qualificado da chave que a geração de 2022 não foi um acidente. A vitória no amistoso de 2023, em casa, mostrou que a equipe africana não recua quando enfrenta adversários de maior prestígio. Desta vez, o palco é o maior torneio do futebol mundial, e o resultado do duelo de 13 de junho vai além dos três pontos: define quem dita o ritmo da competição no Grupo C da Copa do Mundo de 2026.